O Outro Lado da Esperanca

O Outro Lado da Esperança é o cinema filandês mostrando mais uma vez como é bizarro. E aqui o humor é bizarro. A ideia é contar uma história sobre imigração, mas o resultado é limpinho demais, formatado demais, para que seja apenas isso. Vemos paredes e cenários comportados e personagens com diálogos surreais. Um vendedor se separa de sua mulher alcóolatra para abrir um restaurante, que sempre dá certo porque as pessoas bebem quando estão mal… e quando estão bem. Enquanto isso, Khaled, um imigrante dessas zonas de conflito, tem seu cabelo arrancado e seus direitos também. Sua presença de espírito é uma das melhores coisas do filme, que navega em incongruências engraçadas tentando encontrar sua própria razão de existir.

E aparentemente não encontra. O Outro Lado da Esperança brinca com um coisa séria como a imigração fazendo pouco caso das autoridades do seu país (o que faz todo sentido). Khaled resolve seguir o processo oficial da Finlândia e acaba recebendo a inútil (e mentirosa) informação que a zona de onde fugiu nem é tão perigosa assim. Ao mesmo tempo um vendedor de camisetas aposta tudo que tem em uma partida de pôquer ilegal. E todos adoram saber quais cartas vão ser abertas no pôquer…

Algumas esquisitices do diretor/roteirista Aki Kaurismäki passam despercebidas, mas a maioria começa a cantar em uníssono durante o filme. Este não é um filme que é fácil de entender tudo que está sendo sugerindo. Mas ele parece ser um tipo de filme simples que se vê na sessão da tarde. Paradoxal como pode ser, o importante é que coisas acontecem, e elas nunca param. O Outro Lado da Esperança ousa sonhar que geralmente as coisas acontecem para melhor.

★★★☆☆ Wanderley Caloni, 2017-11-06 imdb