O Panaca

Uma comédia pode fazer rir pelo absurdo de suas situações e/ou personagens, como bem lembramos de Debi e Lóide. No entanto, a comédia estrelada por Jim Carrey está longe de ser a precursora dessa ideias do personagem idiota. Há algo muito mais essencial, didático e até filosófico nO Panaca de Steve Martin.

O roteiro, escrito por Martin e Carl Gottlieb (de Tubarão), não se preocupa em ser brilhante. Apenas conduz o protagonista com sérias limitações mentais pelo mundo, pois percebe ser a maneira mais eficaz de o conhecer. O fato de nem parecer existir um roteiro é o que o torna mais elegante.

Já a direção de Carl Reiner, acostumado a produções com o ator, segue o mesmo conceito de não se intrometer por boa parte do filme, com exceção do momento icônico em que vemos um Steve Martin ex-milionário catando objetos aleatórios durante a despedida de sua mansão, quando até a câmera evita acompanhá-lo mais de perto. Suas idiotices eram inocentes e bobas até o dinheiro multiplicá-las.

Esta é uma história de um idiota só, e o ato de pararmos uma hora e meia para assisti-lo é o suficiente para entender que a vida de um panaca não interessa de forma alguma, desde que ele não fique rico com um golpe de sorte qualquer. Aí ele será visto como um gênio, pois o dinheiro comprova seu valor perante a sociedade. Não seria um exagero nem uma ofensa relacionar esta parábola com a situação pós-bolha da internet de tantos novos-ricos, sendo o criador do Facebook o mais icônico entre eles.

O fato de alguém ganhar muito dinheiro o torna um gênio do dia para a noite? Talvez você precise fazer uma revisita ao conto do panaca para repensar os valores que temos hoje em dia.

★★★★☆ Wanderley Caloni, 2013-11-27 imdb