O Que Será de Nozes?
Wanderley Caloni, 2017-01-01

The Nub Job é uma animação com orçamento limitado, pequenos defeitos na caracterização de seus personagens (visualmente e direto do roteiro) e que usa uma moral deturpada que abraça o coletivismo em uma história rapidamente esquecível. Ele arrisca ainda em seu roteiro e montagem contar duas histórias ao mesmo tempo, mas é por demais amador e ainda no rascunho.

Seu anti-herói um esquilo que pensa apenas em si mesmo. Acompanhado de seu amigo rato, miolo-mole e coração-gigante inseparável, juntos tentam obter comida para sua própria sobrevivência. Enquanto isso, no parque da cidade, há uma espécie de monarquia misturada com democracia direta, onde existe um conselheiro-mestre que manda em tudo (inclusive que busquem comida para ele) e que constrói através de um falso herói (um esquilo fortão e desmiolado) e uma meio-princesa meio-aventureira (e idealista) a mensagem de que existe uma entidade maior que todos pela qual todos lutam: o parque.

Após ser expulso do parque por ter destruído o pouco estoque de comida para o inverno que os animais ainda tinham, o esquilo anti-herói acaba achando um armazém de nozes, usado justamente por uma gangue de assaltantes que planejam cavar um túnel para o banco do outro lado da rua. E é aí que o roteiro tenta unir duas história em uma só.

Só que o texto dos quatro roteiristas ainda está no rascunho, e nem a história-base consegue ser narrada com o mínimo de coesão. Diversas cenas são cortadas ao meio, piadas são tão fracas e contadas com um timing tão ruim que sequer entendemos que se trata de uma piada. Nem os clichês de filme do gênero (animação com aventura com animais com defeitos visuais) conseguem sair direito através da direção obtusa de Peter Lepeniotis, que não consegue nos dar o mínimo de orientação espacial nas sequências que envolvam o parque, o esconderijo dos assaltantes, o prédio onde estão e, em alguns momentos, nem a logística básica do escritório dos capangas.

Falhando miseravelmente em tentar adicionar um pouco de qualquer coisa na história, seja romance, companheirismo, identificação com o anti-herói (que despreza até o amigo de grande coração) e ódio pela figura tirana do bicho-conselheiro daqueles pobres animais do parque, The Nut Job não consegue ser mais do que um entretenimento passageiro para crianças menores que 10 anos que estão prestando pouca atenção ao que se passa na tela. Para adultos, isso significa várias bocejadas durante o filme e um esquecimento rápido e indolor após seus créditos finais.

Que usa Psy como o finalizador do filme. Pelo jeito, havia muitas pontas a serem cortadas nesse filme antes dele começar a ser produzido.

★☆☆☆☆ The Nut Job. Canada. 2014. Direção: Peter Lepeniotis. Roteiro: Lorne Cameron, Peter Lepeniotis, Robert Reece, Daniel Woo. Elenco: Will Arnett (Surly), Brendan Fraser (Grayson), Liam Neeson (Raccoon), Katherine Heigl (Andie), Stephen Lang (King), Maya Rudolph (Precious), Jeff Dunham (Mole), Gabriel Iglesias (Jimmy), Sarah Gadon (Lana). Edição: Paul Hunter. Trilha Sonora: Paul Intson. Duração: 85. Aspecto: 1.85 : 1. Animation. #netflix