O Tigre e o Dragão: A Espada do Destino

Sim, fizeram uma continuação de O Tigre e o Dragão, um daqueles filmes “incontinuáveis” (ou até intocáveis). A Netflix resolveu bancar um pequeno filme que meio que homenageia o original e meio que tenta ser um caça-níqueis de qualidade.

Consegue parcialmente. Computadores não fazem milagres, como produzir filmes excelentes como o de Ang Lee.

Há cenas de luta à exaustão, a maioria sem explicação ou motivo, e os espadachins parecem mais interessados em criar posições bonitas do que de fato atingir algum objetivo. Parece que todos eles estão tão à frente de seus adversários que “A Espada do Destino” lembra aqueles filmes de super-heróis em que os heróis são sempre o player de um vídeogame no Nível 1 (jogando no modo fácil).

Além disso, as técnicas usadas para artificialmente projetar mundos exóticos, como montanhas gigantescas, vilarejos e uma torre imensa, tornam tudo como a computação digital semi-cara sempre torna: artificial. Porém, esse não é o maior problema: o maior problema é que seu diretor, Woo-Ping Yuen, acredita piamente estar “abafando”, e recheia o longa com câmeras se movendo na vertical toda hora, regadas a uma trilha sonora pomposa e ao mesmo tempo episódica, harmonizando com a intenção do diretor, em nunca ligar os pontos de sua trama, preferindo isolá-los como uma série medíocre de televisão.

Os atores não ajudando, os personagens idem. Eles são apenas recursos emprestados do original para tentar-se criar as mesmas tramas, ou algo parecido. Na história há a criação de uma guarda de elite no meio de uma briga de bar, simplesmente porque sim. OK, isso seria válido em tons mais cômicos, ou em filme já conhecidamente limitados, como os enlatados da Marvel. Porém, o que se espera de um pretenso “sucessor” de O Tigre e o Dragão é sua obediência incondicional às lendas da China medieval, de onde Ang Lee tirou sua inspiração para fazer as pessoas voarem não porque é bonito, mas porque era válido nessas lendas.

Por fim, tudo se resume a dois contos – um envolvendo um vilão tentando roubar uma espada lendária, outro envolvendo a troca de bebês e um reencontro – que poderiam ser dois curtas bem inspirados, mas são apenas pano de fundo para mais e mais lutas sem sentido. Pior que isso, só remoer novamente o romance eternizado do original. Oh, não! Eles fizeram isso também =/

★★☆☆☆ Wanderley Caloni, 2016-03-09 imdb