O Vingador do Futuro

Roteirizado por Ronald Shusett e Dan O’Bannon, duas figuras envolvidos desde o início na série Alien, a história digerida pelo visceral Paul Verhoeven consegue a proeza de ser um filme e tanto de ação e se basear em uma premissa que — diferente do remake recente — consegue se tornar ambígua até o final: tudo que estamos vendo é de fato real ou é apenas um sonho implantado pela companhia que leva o título original?

Construindo seu pano de fundo desde o início através de um telejornal que mostra que o humanos no futuro já estão colonizando Marte e produzem ali um minério cobiçado pelo Planeta Terra, que parece contudo menosprezar os habitantes do planeta vizinho, o governador do local, Vilos Cohaagen (Ronny Cox) tenta manter a colônia livre dos rebeldes, que lutam por maiores liberdades e ter o direito, por exemplo, de respirar o escasso ar do planeta sem precisar com isso de se matarem de trabalhar nas minas de Cohaagen.

Paralelo a isso vemos a história de Doug Quaid (Schwarzenegger), um homem simples que trabalha como operário e que gostaria de um dia poder visitar Marte, talvez pelo fato de ter estranhos sonhos que o relacionam ao planeta e a uma jovem que aparentemente é sua namorada (Rachel Ticotin) alternativa. Alternativa mesmo, pois Quaid é casado com Lori (Sharon Stone), que não entende tanta fixação por Marte.

Os problemas de Quaid começam quando ele decide realizar um implante e “fingir” ter passado duas semanas de férias em Marte sem a presença da esposa. Contudo, os funcionários da Total Recall, a empresa que realiza essa maravilha tecnológica, percebem que sua mente já possui algum tipo de bloqueio mental e que no fundo sua vida na Terra pode ter sido no fundo uma grande mentira implantada em questões de semanas, mas que para ele é a única coisa que se lembra.

Brincando com o próprio conceito cinematográfico de não conhecermos (ou não vermos) o passado dos personagens, mesmo que eles sejam vitais para a história, o roteiro possibilita uma viagem ambígua e inspirada que envolve perseguições e paranoias de espiões. É difícil saber o que é certeza em Marte quando Quaid chega nele. Tanto para ele quanto para nós.

Competente em seu desenvolvimento e empolgante tanto pelas cenas de ação quando pelos efeitos extremamente verossímeis para a época — além dos efeitos de maquiagem que tornam a violência gráfica de Verhoeven um ótimo motivo para revisitar os filmes dos anos 8090 e suas mortes “de verdade”. No entanto, arrebatador em seu ato final, quando percebemos a grandeza dos acontecimentos com nossos próprios olhos. Quer dizer, talvez sim, talvez não. A conclusão fica por conta do espectador.

★★★★☆ Wanderley Caloni, 2012-11-04 imdb