One Punch Man: Wanpanman

2017/01/17

One Punch Man pode muito bem ser uma série de uma piada só. E ela está no título. Entre todos os poderosos heróis que salvam cidades com nomes do alfabeto e de todas as criaturas malignas das profundezas da Terra, Saitama é uma pessoa comum que decidiu ser um herói por diversão. Ele treinou muito. Não, você não entendeu: ele treinou muito mesmo. Tanto que é o mais poderoso dos heróis, mesmo que ninguém acredite nele. Seu maior poder? Um soco. O homem de apenas um soco.

Os episódios da primeira temporada da série geralmente se resumem em um monstro começando a destruir uma cidade, heróis são mobilizados, quase morrem, chega Saitama e com um soco resolve tudo. Ele não é estiloso como os outros heróis. Ele sequer tem uma roupa decente. Bom, ele sequer tem cabelo (ele caiu de tanto treinar). Seus traços podem ser feitos por uma criança de cinco anos. Bêbada. E, ainda assim, Saitama é a criatura não apenas com o maior poder que já se viu, mas também o único com senso de humor.

Toda a estética e universo criados a partir de um mangá não-comercial. Seu autor possui o pseudônimo de One, e mantém suas histórias em seu site pessoal. Com seu estilo lembrando a figura de um Buda, Saitama não busca fama nem sucesso em sua empreitada; ele só quer cupons de desconto e promoções do mercado local onde faz compras. Seu aspecto simples e bem-humorado extraem, por comparação, uma filosofia de vida extremamente alto-astral se comparada a seus “iguais”, heróis sindicalizados e estratificados em categorias, todos ambicionando subir de nível, além do reconhecimento da população, que aparentemente sofre horrores, perdendo casas, prédios, ruas, cidades inteiras, enquanto lutas épicas são traçadas nas áreas mais movimentadas das metrópoles.

A questão de reconhecimento também é levada para a mídia, para o corporativismo e para a opinião pública com um ar de crítica social. No entanto, o formato mangá/animê padrão não é exatamente o ápice da criatividade, ficando “One Punch Man” quase sempre restrito a diálogos expositivos, personagens interessantes por uma ou duas características (como um anjo musculoso e barbado, que quando se transforma fica pelado) e figuras funcionais embora não completas, como um auto-declarado assistente ciborgue, que faz as vezes de expandir os pensamentos do seu mestre, que geralmente não fala (e não pensa) muita coisa.

Porém, ao assistir a todas as histórias fica claro que o astro sempre foi e sempre será Saitama. Todo o resto que o orbita é justamente aquela filosofia oriental das tentações e provações que passamos na vida. Se deixarmos isso passar como um leve vento em nosso rosto, seremos muito mais felizes do que entrando na corrida infernal dos ratos em busca de aceitação e inflação de ego.

O que aprendemos em One Punch Man dificilmente veremos em outros animes. Basta o desenho de um ovo, alguns traços para os olhos e boca, e está formado um herói que ganha todas as lutas com um soco. Sua missão na Terra: alertar os espectadores de que não são as lutas, nem a fama nem o reconhecimento que importam, mas o caminho em si. Já dizia Morpheus…

★★★★☆ Título original: One Punch Man: Wanpanman. País de origem: Japan. Ano 2015. Direção: Shingo Natsume. Roteiro: One. Elenco: Max Mittelman (Saitama). Makoto Furukawa (Saitama). Kaito Ishikawa (Genos). Zach Aguilar (Genos). Yôji Ueda (Bespectacled Worker / ...). Shinya Hamazoe (Artillery Crew / ...). Yoshiaki Hasegawa (Eyelashes / ...). Shôta Yamamoto (Bearded Worker / ...). Hiroki Gotô (D-Pad / ...). Trilha Sonora: Makoto Miyazaki. Duração: 24. Gênero: Animation. Tags: torrent

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