Orange is the New Black - Segunda Temporada

Criado por Jenji Kohan, de Weeds e The Stones, com base nas memórias da detenta Piper Kerman, Orange Is the New Black começou em sua primeira temporada como a história de uma nova detenta (Piper Chapman, Taylor Schilling) condenada por tráfico de drogas junto com sua amante, Alex Vause (Laura Prepon). A série se focou mais nas diferenças entre a vida livre e o cárcere privado no meio de mulheres mais ou menos perigosas e carentes. Se transformando agora na segunda temporada em um “Oz de Calcinha”, Chapman já está integrada ao sistema, então resta à série revisitar como o sistema funciona, pelo menos com cenas mais leves e mais sentimentais. Afinal de contas, elas são mulheres!

Uma das provas dessa mudança é um episódio inteiro sem a participação de Taylor Schilling que antes era requisitada mais de 50% do tempo. Agora, já focando no que tinha sido a marca registrada secundária na Season 1, cada detenta – ou a maioria delas – possui seu passado explorado para encaixar esse mosaico de personagens fascinantes em suas relações já na cadeia. Não apenas elas entram no jogo, como os guardas e a direção da prisão, incluindo desvio de verbas. O forte de fato é conhecer a histórias dessas mulheres, pois são personagens com dramas muito superiores que a própria Chapman, prova disso é a participação da russa Red (Kate Mulgrew) logo no início da série ter sido um ponto alto.

“Orange” empresta do Cinema o suficiente para servir de chamariz, como o primeiro episódio e diversos momentos que possuem uma direção primosora para ideias fascinantes que chegam a flertar com Poderoso Chefão, mas cujo formato está condenado a servir ao gosto do público geral, se auto sabotando no processo. É uma pena ver um potencial dramático e cômico tão forte ser desperciçado em busca da audiência fácil.

★★★☆☆ Wanderley Caloni, 2014-06-19 imdb