Orange is the New Black - Terceira Temporada

Orange is the New Black, apesar do título ultrapassado, ainda se mantém acima de sua irregular média. Digo irregular porque a série, apesar de possuir picos dramáticos e temáticos bem definidos, também possui os seus vales. Ou seja: se quiser aproveitar o que a série tem de bom, vai ter que aguentar muito lenga-lenga de mulher.

Essa terceira temporada “surpreende” por seus ataques incessantes e cada vez mais incômodos da religião e de outros temas que flertam nervosamente com um esquerdismo até natural, vindo de um programa de TV que lida com detentas de um sistema presidiário mais do que o suficiente para manter seus “clientes” satisfeitos.

Será, mesmo? A todo o momento somos lembrados que isto não é Oz, que as pessoas ali são mulheres, o que muda todo o contexto do que ocorre com essas pessoas. Elas podem até ter cometidos seus pequenos delitos e assassinatos, mas nunca parecem acusadas de nada que preste.

Exceto Piper. A loirinha sem açúcar de Taylor Schilling merece um destaque como o instrumento por trás das babaquices do roteiro, incluindo um discurso inflamado – um ponto alto – a respeio de sua mais nova ideia: a venda de calcinhas sujas para pervertidos.

Cansado das suas velhas artimanhas, a série não se acanha de usá-las para o bem da linguagem televisiva, ainda que travestida de algo cool/cult. Quem ganha é o público que adora uma novela, e com razão: a cada nova temporada o elenco principal parece querer se reinventar, e realiza um show para poucos. É até difícil destacar alguém em um casting tão uniforme.

Porém, sejamos honestos: se OitNB quiser se comparar – ou sequer referenciar – obras como Breaking Bad, acho bom se preparar para situações realmente desafiadoras, e não uns tapinhas em uma transexual. Isso só vai trazer fãs de movimentos minoritários fanáticos (ainda mais agora, que já acabaram de assistir Sense8). Salvar como outro arquivo e rodar o update.py para facilitar o nome do elenco!

★★★☆☆ Wanderley Caloni, 2014-06-19 imdb