Os Acompanhantes

Não é de hoje que acompanho o ótimo desempenho de Paul Dano e sua ascenção desde Pequena Miss Sunshine. Dotado de uma feição característica, sua figura simpática e ingênua soa familiar na maioria dos seus filmes em que é o mocinho. Porém, o que mais gosto nele são seus trabalhos como vilão (Sangue Negro, 12 Anos de Escravidão, Os Suspeitos), pois sua feição “característica” adquire uma função muito mais efetiva: a vontade de socar a sua cara.

Por isso é de se entender que em Os Acompanhantes quem se sai melhor é Kevin Kline com seu excêntrico Henry Harrison. A história basicamente é sobre o convívio desses dois em um apartamento em Nova Iorque. Henry é um falastrão que vive às custas de seus contatos com a alta sociedade e pequenos truques do dia-a-dia. O personagem de Dano, Louis Ives, é fã de livros que retratam a década de 20 (O Grande Gatsby) e imagina sua vida ilustrada por um narrador desse tipo de livro/filme. Porém, mais do que isso, Louis vive em uma indecisão a respeito de sua sexualidade, pois a lingerie afeta o rapaz de tal maneira que ele sente a necessidade de se vestir de mulher.

O resultado é um filme simpático, igualmente excêntrico, bem conduzido pela dupla de diretores Shari Springer Berman e Robert Pulcini, responsáveis pelo mediano Minha Vida Dava um Filme. A direção de arte de Charles Kulsziski consegue unir o moderno com o de época com poucos elementos, embora a atuação de Paul Dano faça praticamente todo o serviço de transição (tanto que ele nem parece pertencer à mesma época em que a história se passa).

★★★☆☆ Wanderley Caloni, 2015-08-23 imdb