Os Belos Dias de Aranjuez

2017/03/26

Este é o segundo trabalho de exploração do diretor/roteirista Win Wenders (Pina) usando a tecnologia 3D. Dessa vez, apenas os primeiros minutos do longa parecem aproveitar o uso da tecnologia. Wenders nos submete a uma experiência única ao navegarmos por uma janela mágica – a tela do cinema – em torno de um mundo com dimensões, natureza e arte. E a arte é colocada em escrutínio em um de seus trabalhos igualmente poéticos, mas pretensiosamente herméticos. Há quase que uma auto-análise do processo que torna Wenders um dos diretores mais influentes da escola alemã atual, mas o resultado é fechado demais para o grande público. Se trata de um trabalho que irá provavelmente te fazer devanear sobre a vida, mas não por causa do filme, e sim como uma forma de fugir dele. As banalidades discutidas em diálogos rebuscados que no fundo não querem dizer nada transformam Os Belos Dias de Aranjuez em uma ode à irracionalidade e uma homenagem a todos que tentam atravessar a parede da lógica em prol da arte. Infelizmente, para todos que tentaram fazer isso, ou esbarraram na impossibilidade de querer dizer algo sem de fato dizê-lo – seja por palavras, sons ou imagens – ou se rendem em dizer algo, mesmo que não queiram. E aqui, o que Wenders parece estar sugerindo ao gritar para seu público é: eu não tenho a menor ideia do que fazer com um drama intimista em 3D.

★★★☆☆ Título original: Les beaux jours d'Aranjuez. País de origem: France. Ano 2016. Direção: Wim Wenders. Roteiro: Wim Wenders. Peter Handke. Elenco: Reda Kateb (L'homme). Sophie Semin (La femme). Jens Harzer (L'écrivain). Peter Handke (Le jardinier). Nick Cave (Nick Cave). Edição: Beatrice Babin. Fotografia: Benoît Debie. Duração: 97. Razão de aspecto: 1.85 : 1. Gênero: Drama. Tags: cabine

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