Os Fantasmas de Ismael

Apr 29, 2018

Imagens

Um filme sobre como é construir filmes, peças ou livros. O processo criativo é destrinchado aqui sutilmente conforme percebemos que os personagens da ficção dentro da fição em Os Fantasmas de Ismael possuem características e situações semelhantes com os personagens da “vida real” que acompanhamos. Porém, ao perceber que essa vida real possui clichês “pesados” demais (como a ex-mulher que ressurge depois de mais de vinte anos desaparecida) tudo fica mais claro para o espectador. Ou pelo menos deveria. Este não é um filme para os preguiçosos de cérebro, que vão à sala de cinema para divagar. O próprio filme é sobre o ato de divagação, exploração e, claro, uma auto-análise descarada para dentro do âmago do seu criador e das inúmeras referências já disponíveis no Cinema para usa “inspiração” (e Bernard Hermann, colaborador musical habitual de Hitchcock, estar nos créditos, não é coincidência). Este, portanto, é um filme para pensarmos sobre o processo de criação. Não é tão redondo quanto Adaptação de Charlie Kaufman, mas ele flerta com essa ponte entre o real e a arte com um controle invejável do diretor/roteirista Arnaud Desplechin. Para ver com calma e reflexão.

Wanderley Caloni, 2018-04-29. Les fantômes d'Ismaël (França, 2017), escrito por Arnaud Desplechin, Julie Peyr e Léa Mysius, dirigido por Desplechin, com Mathieu Amalric, Marion Cotillard, Charlotte Gainsbourg, Louis Garrel, Alba Rohrwacher. IMDB. Texto completo próximo ou após a estreia no CinemAqui.