Os Irmãos Cara de Pau

Não se fazem mais filmes sem computadores, e isso pode ser uma coisa ruim. Os efeitos digitais invadem as telonas e as pessoas dessa geração mal percebem que estão olhando para pixels plásticos gerados em ambientes impossíveis. O velho acidente de carro capotando parece só existir agora “photoshopado” em inúmeras camadas de irrealidade.

Olhando para isso e assistindo a Irmãos Cara de Pau (de 1980) é como se um vento refrescante do bom e velho clichê visual batesse na minha cara, explorado em cenas que, de uma forma ou de outra, aconteceram realmente no mundo físico. É a câmera do diretor/produtor/roteirista John Landis (Trocando as Bolas) que enfoca aquela realidade de uma maneira poética, exagerada e visualmente impecável. O estilo dos irmãos sempre vestidos de preto com chapéu e óculos escuros define o nível fantasia da história, que, admito, não é das boas, mas os números musicais compensam qualquer eventual deslize na lógica narrativa: protagonizados por Aretha Franklin, James Brown, Ray Charles e tantos outros precursores, o filme mantém seu estilo medido com precisão.

Os protagonistas: o também roteirista Dan Aykroyd (Caçadores de Fantasmas) e o ator de vida breve John Belushi, são cafajestes que viveram no submundo da negra Chicado e são católicos incondicionais. Quando precisam salvar o orfanato dirigido pela irmã Mary Stigmata (também conhecida como O Pinguim), o guia moral dos dois, e possuem como condição ganharem o dinheiro honestamente, revolvem resgatar a banda da qual faziam parte. Metade do filme é a respeito disso. A outra metade é um show de Cinema em larguíssima escala e que por mais fundo verde que coloquem hoje em dia, não existe mais.

★★★★★ Wanderley Caloni, 2014-03-30 imdb