Os Suspeitos

O cansaço, desânimo e um envolvimento ilimitado na busca de duas meninas desaparecidas é o que forma a base de Os Suspeitos, mantida todo o tempo por três pilares fundamentais: o detetive e o pai incansáveis formam dois deles; a direção impecável de Denis Villeneuve (do excelente Incêndios) no desenvolvimento da trama forma o terceiro.

Construindo a tensão mesmo antes que as duas crianças sumam usando a figura do furgão como uma ameaça sem rosto, o Dia de Ação de Graças entre os vizinhos vira um pesadelo em questão de segundos. Naquele mesmo momento, há uma economia preciosa ao cortar para a noite e já nos apresentar ao herói da trama, o Detetive Loki (Jake Gylenhaal). Sem nunca saber muito bem seu passado (algo incomum no gênero), pegamos fiapos de sua personalidade durante a incessante investigação, movida de perto e em paralelo pelo igualmente incansável Keller Dover, um dos pais da garota (Hugh Jackman).

O que realmente empolga em Os Suspeitos é entender que um policial não precisa entregar todas as respostas de bandeja ao espectador, mas precisa sim manter sua atenção através de pistas (faltas ou verdadeiras) e uma narrativa que vá sempre nos movendo na história. No caso, a investigação de ambos os personagens (os pilares que mencionei) é primordial pelas formas distintas de pensamento e ação, o que nos divide: em determinado momento acreditamos na efetividade das ações do pai e em outro já desconfiamos que suas conclusões vão longe demais, quando passamos a acompanhar com mais cuidado os passos do detetive.

Além disso, as dicas espalhadas pelo cenário são de prender a respiração. Quando notamos que símbolos, objetos e até mesmo o tempo (chove e neva com frequência no local) podem desempenhar uma função primordial nas investigações, além de manter o espectador sempre com condições de acompanhar o raciocínio que vai se formando.

Porém, não é só a história que prende a atenção: as atuações são exemplares. Paul Dano representa a figura tão presente em filmes de suspense do jovem mentalmente limitado que possui informações vitais de uma forma completamente verossímil, e mesmo assim temos dúvidas quanto ao caráter do rapaz. Já Hugh Jackman representa o pai atordoado que não consegue parar de pensar que deveria estar sempre presente para proteger sua filha (e seus olhos ligeiros e pensamentos cada vez mais próximos de sua ação conseguem transpassar esse desespero). No topo da lista elencaria Jake Gyllenhaal como o detetive que possui mais personalidade quando não faz algo do que quando faz, sendo as discussões com seu chefe particularmente reveladoras. E não poderia citar outros personagens que se tornarão importantes demais para a trama no terço final.

Enfim, um policial dos bons como não se costuma ver.

★★★★★ Wanderley Caloni, 2013-10-25 imdb