Os Visitantes

Os Visitantes é o primeiro longa do alemão Contudo Knoche e talvez por disso mesmo com o tema dramático possui uma leveza e ingenuidade que o torna particularmente cômico. Iniciando com a visita inesperada do pai Jacob (Uwe Kockisch) aos seus três filhos Arnolt, Sonni e Karla (Jakob Diehl, Anne Müller e Anjorka Strechel), o atípico convívio com eles é usado para desvendar mais sobre aquelas pessoas do que sobre a visita em si. (Note como apenas os primeiros nomes são usados, levando automaticamente nossa relação com os personagens a um nível familiar.)

Já ganhando a atenção do público, as coisas começam a ficar mais interessante ainda ao descobrirmos que existem na verdade dois acontecimentos a serem discutidos: um trazido pelo pai e outro (Andreas Leupold, como Hans) pela mãe, Hanna (Corinna Kirchhoff). A maneira como ambos se relacionam e como isso revela mais sobre os filhos do que sobre os pais é o que move a história através de diálogos sutis cujo pano de fundo sempre será a estrutura patriarcal clássica na incompatível vida contemporânea e o que ela formou como visão de mundo dos filhos.

Usando um ritmo sem pressa, econômico e competente em esboçar visualmente o seu objetivo, a reaproximação daquela família que há tempos não tinha uma conversa como essa irá ? como nos filmes do gênero ? abrir algumas feridas e paulatinamente fechá-las. O passado de ausências que acabou por moldar o caráter desses jovens é revisitado, e tudo fica mais empolgante com a troca de farpas.

Nunca desinteressante em seu desenrolar um tanto óbvio, mas que com seu timing perfeito e o desempenho competente de todo o elenco o torna, Os Visitantes conclui seus conflitos com uma visão encantadoramente otimista caso seja essa também sua impressão. Contudo, o filme prefere não se intrometer mais ainda na vida daquela família, o que é admirável se considerarmos que já a tomamos como pessoas de carne e osso durante todo esse tempo.

★★★★☆ Wanderley Caloni, 2012-11-01 imdb