Outlander - Primeira Temporada

2017/07/19

Essa série parece uma cria da fórmula criada por Game of Thrones, onde sexo, violência e coadjuvantes de passagem são a lei. Porém, logo fica claro que a intenção nunca foi fugir muito do esquema noveleiro, onde torcemos por um casal principal. Ainda assim, a Escócia e os escoceses são retratados com tanto carinho nostálgico que é possível assistir à novela para se permitir viajar para aqueles tempos de outrora, onde costumes, valores, economia, política e sociedade parecem ligeiramente diferente do que vivemos hoje em dia.

A desculpa utilizada pela autora dos romances que deram origem à história é a viagem no tempo. Com um começo bem capenga, desses de séries feitas para televisão, acompanhamos a lua de mel entre Claire e Frank, enfermeira e soldado, que se casaram logo após o final da Segunda Guerra, e agora passam duas férias merecidas na tradicional e misteriosa região de Terra Alta, na Escócia.

A relação entre os dois parece forjada. E os dois atores não ajudam. Além disso, eles fazem sexo frequentemente em uma forma artificial de dizer que estão juntos e com saudades um do outro, além de evocar um lado sensual de ambos que irá ecoar de maneiras diferentes na outra história.

E a outra história é a principal, ambientada na época dos clãs escoceses e o domínio britânico. Claire viaja para o passado e a primeira pessoa que ela conhece é um antepassado de Frank que é idêntico a ele. E a primeira coisa que ele tenta fazer é estuprá-la, o tornando rapidamente no “vilão com a mesma cara do mocinho”. Ou quase, se Frank de fato fosse o mocinho da série, mas não é.

O mocinho é um rapaz aparentemente mais jovem que Claire, bonito, forte, musculoso e que aparece algumas vezes completamente pelado e muitas outras sem camisa. Aliás, mostrar os peitos femininos e cenas de sexo mais ou menos provocantes é uma constante na primeira parte da temporada, que não se rende à exposição gratuita, mas que mesmo assim vez ou outra lembra os romances Sabrina de bancas de jornal (mas não a saga Emanuelle, o que já é alguma coisa).

Os personagens de Outlander não conseguem fugir do caricato, mas ainda assim se beneficiam da iconografia da Escócia tradicional. A fotografia que é usada torna os gramados mais verdes e os castelos mais vivos. Tudo isso aliado à ideia dos escoceses como homens de verdade, que usam de violência até para jogos recreativos, e que não guardam traumas nem rancor de seus companheiros. Esta é uma versão de sociedade não apenas mais empolgante de se viver – ainda mais depois da era do politicamente correto – mas um retrato histórico fiel e dramático ao mesmo tempo.

Porém, o drama, ou até mesmo a trama, é o que menos importa em Outlander. Ela é clichê, e mesmo que bem arquitetada para nos dar algumas surpresas, não deixa de ser mais um lugar-comum. De qualquer forma, para os fãs de Sabrina com um viés histórico saudosista, fora a análise política e social de uma época, esta pode ser uma série bem cativante.

★★★★☆ Outlander. USA, 2014. Direction: Metin Hüseyin. Anna Foerster. Brian Kelly. Mike Barker. Philip John. Brendan Maher. John Dahl. Richard Clark. Douglas Mackinnon. Script: Ronald D. Moore. Diana Gabaldon. Ira Steven Behr. Toni Graphia. Anne Kenney. Matthew B. Roberts. Cast: Caitriona Balfe (Claire Randall). Sam Heughan (Jamie Fraser). Duncan Lacroix (Murtagh Fraser). Tobias Menzies (Jack Randall / ...). Grant O'Rourke (Rupert MacKenzie). Graham McTavish (Dougal MacKenzie). Stephen Walters (Angus Mhor). Edition: Michael O'Halloran. Melissa Lawson Cheung. Liza Cardinale. Cinematography: Neville Kidd. Stephen McNutt. Martin Fuhrer. Michael Swan. Denis Crossan. David Higgs. Soundtrack: Bear McCreary. Runtime: 64::(approx.). Gender: Drama. Category: series Tags: netflix series outlander

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