O Golpista do Ano

Jun 4, 2010 2 min.

Um filme com estilo episódico (fade out em vários momentos), narração em off de um protagonista que supostamente está morto (acho que já pensaram nisso antes…) e invencionices demasiadas com a câmera, muitas vezes na mão. Apesar de ter tudo para dar errado, O Golpista do Ano apresenta Jim Carrey, Ewan McGregor e até Rodrigo Santoro em personagens que acompanham as personas dos atores, mas desafiam a realidade dos eventos (sim, o filme é baseado em alguns fatos em torno da figura de Phillip Morris).

O Pequeno Nicolau

Jun 2, 2010 2 min.

O Pequeno Nicolau é aquele típico exemplo de filme fofinho que funciona pela dedicação de sua direção de arte em reconstruir a época com um esmero tocante, por seu roteiro que entende a mente das crianças, e como sua criatividade às vezes (quase sempre) extrapola os limites da vida real de maneira encantadora, por sua direção que não mede esforços para situar o ponto de vista de tudo que acontece através dos olhos do pequeno Nicolau do título, um personagem famoso em livros franceses.

O Escritor Fantasma

May 28, 2010 1 min.

O Escritor Fantasma é o tipo de thriller que, diferente da enxurrada de pistas e falsas-pistas que funcionam muito bem em Os Homens que não Amavam as Mulheres, ele nos leva a desvendar o mistério da trama recriando-o gradualmente em uma série de passos sutis, mas consistentes, que revelam em seu momento final um mosaico diferente na mente de cada espectador. Seguindo essa cartilha fascinante, a trilha sonora do começo usa sons que lembra buzina de carro (e estamos justamente na parte em que os carros tentam sair da balsa), um simples esquilo revela uma informação vital em um único quadro, a ausência de um automóvel é o que dá tom a uma perseguição e por fim, claro, a brilhante sequência do bilhete indo de encontro à primeira-dama que demonstra o uso da técnica visual para relatar uma história em seu total controle: sutil, rápido, eficiente.

Fúria de Titãs

May 21, 2010 3 min.

Fúria de Titãs busca ser uma superprodução sobre deuses e humanos, mas falha miseravelmente em sua abordagem 3D, especialmente em suas transições, onde um bebê no barco parece distorcido ou a aparência de Hades quando este aparece entre os humanos. Com uma introdução um tanto rápida do protagonista, talvez deixando pouco espaço para criação da empatia ou até da criação desse personagem, logo parte-se para as lutas, mas que quase nunca emplacam, tendo como muleta a sua forçada trilha sonora que não conta muito com criatividade.

Quincas Berro d'Água

May 21, 2010 1 min.

É uma comédia até que eficiente nos momentos em que o morto “participa” da “bebemoração” de seu grupo de amigos, mas carece de algum elemento que junte isso à sobriedade da família do defunto. Mesmo assim, essa espécie de Dom Casmurro versão alcoolizada tem o seu charme pela criação daquela atmosfera de filme de época, vida boêmia e a falta do famigerado e mais que atual politicamente correto.

2 Dias em Paris

May 16, 2010 2 min.

Estreia de Julie Delpy (Antes do Amanhecer) em longas-metragens, o filme já diz a que vem através do seu título. Ambientada na cidade-luz, essa comédia de costumes, obviamente, é mais focada em seus personagens. Jack (Adam Goldberg), um hipocondríaco cheio de manias que vai descobrindo a namorada de dois anos em dois dias em Paris e o reencontro dela com seus ex-amantes. Marion (Delpy), a narradora em off (supostamente onisciente) da história, fica mais à vontade em torno da família e de seus amigos.

Mademoiselle Chambon

May 14, 2010 1 min.

Mademoiselle Chambon é daqueles filmes um tanto naturalistas, em que você precisa prestar atenção, mas não muita, para perceber a relação sutil entre os personagens, e os acontecimentos poderiam ter sido narrados de eventos da vida real e não soariam fantásticos. A bem da verdade, o núcleo narrativo do filme de Stéphane Brizé com certeza já deve ter acontecido na realidade uma série de vezes. A virtude do filme é conseguir representar isso sem escandalizar em demasiado, se focando nos personagens.

Tudo Pode Dar Certo

Apr 30, 2010 2 min.

A imprevisibilidade e a forma como tudo o que acontece em torno da história é a síntese do próprio filme, onde o caos (e o nosso conhecimento sobre) bate de frente com nossas crenças. Obviamente, por se tratar de um filme de Woody Allen, tudo isso será devidamente criticado através do seu protagonista com crises existenciais pós-divórcio. Uma prova de que ele é o sócia do diretor é que, apesar de refinado intelectualmente, o protagonista sente os mesmos sentimentos humanos, mas os expressa de maneira mais sutil, o que ao mesmo tempo torna-os mais evidentes ao espectador.

Alice no País das Maravilhas

Apr 23, 2010 3 min.

Os experimentos 3D do início da década mostraram pouquíssimas decisões acertadas (Pina, A Invenção de Hugo Cabret), mas muitos caminhos, se não errados, bem tortuosos. Podemos encontrar decisões completamente equivocadas a respeito do uso da tecnologia até mesmo no irretocável Avatar de James Cameron. Dessa forma, o que dizer do estilizado Tim Burton e seu remake live-action do livro de Lewis Carroll? Seguindo o mesmo entendimento de Cameron a respeito da câmera, o diretor continua usando e abusando do foco, mesmo em um “filme 3D” (estamos ignorando as cópias 2D, já que a produção foi filmada e pensada em 3D).

Mary e Max uma Amizade Diferente

Apr 16, 2010 3 min.

Tudo em “Mary e Max” é construído para tentar responder uma das perguntas emocionalmente mais ambiciosas e filosoficamente mais intrigantes que nós, passageiros desse planeta em direção à morte, nos fazemos de vez em quando: o que é a amizade? Mary (Toni Collette), uma menina da Austrália, começa a se comunicar ao acaso através de cartas com Max (Philip Seymour Hoffman), um senhor de meia-idade de Nova Iorque. Habitantes cada um do seu mundinho particular e distante, suas cores não se misturam, suas músicas possuem diferentes tons, suas idades são incompatíveis (o futuro de Mary é do mesmo tamanho que o passado de Max).