O Renascimento do Parto 2

May 10, 2018 1 min.

Ao ouvir falar na palavra “protesto” lembro que, se no primeiro filme já se esboçava timidamente a cartilha básica tirada do “Dicionário da Justiça Social”, como o famigerado “empoderamento da mulher” (e que sempre me faz lembrar da She-ha, a companheira do He-Man), o bingo de expressões sociais agora está completo, com as palavras já batidas que já conhecemos, tiradas do vocabulário de termos vagos para debates pré-montados, como “desconstrução”, “protagonismo”, “historicamente (insira qualquer bobagem)”, “feminismo”, e, o ultimamente mais na moda, “microagressão” (aqui chamada de “violência perfeita”).

Desejo de Matar

May 8, 2018 1 min.

Logo temos a experiência de acompanharmos a escalada brutal de Paul Kersey, que na pele de Bruce Willis em homenagem a Charles Bronson vive o brusco isolamento da vida social, ocupando o porão como um bagunçado esconderijo de seu alter ego, o distanciamento do seu irmão, além das noites agindo como vigilante andando a esmo nos piores lugares para estar em uma cidade grande. Tudo isso é narrado como um filme de ação trivial que tem seus momentos empolgantes e incidentais da ficção do homem comum fazendo justiça com as próprias mãos, e não um drama intimista de um pai de família que teve sua vida arrasada e que busca redenção aleatória.

O Renascimento do Parto

May 7, 2018 1 min.

Quase um panfleto institucional. Mas longo demais. O Renascimento do Parto é uma grande falácia pelo apelo à natureza, pelo apelo à emoção e muita desinformação que apela para evidências científicas ao mesmo tempo que fala sobre energia cósmica. Se trata da bagunça que surge quando o pessoal de humanas resolve debater. Quer dizer, não se trata de fato um debate, mas uma posição bem formada desde o início pró-alguma coisa e em seguida o descascamento de testemunhos e especialistas validando a única opinião que pode estar certa, e se você estiver errado você é… como é mesmo o nome?

Adivinhe: Roger Ebert

May 7, 2018 2 min.

Acha que conhece de cinema? E que tal tentar adivinhar por um punhado de palavras de um crítico sobre qual filme estamos falando? 1 If the audience ever started giggling at the sounds and tricks, the picture might collapse, because it’s entirely mechanical and impersonal. 2 Those who say it is too long have developed cinematic attention deficit disorder. I wanted these characters to live, talk, deceive, and scheme for hours and hours.

Pauline Kael: A Pior e Mais Ridícula Crítica de Todos os Tempos?

May 7, 2018 3 min.

Estava lendo um dos livros de Pauline Kael, uma das poucas coletâneas disponíveis dessa escritora que é considerada a melhor da história do Cinema, 5001 Nights at the Movies. Nesse livro em questão há resenhas rápidas que eram publicadas nos rodapés do jornal onde Kael escrevia. São texto curtos, de um parágrafo no máximo, mas que fluem, embora condensados em uma ou duas impressões no máximo sobre o filme analisado. Apesar de ser divertido de ler, falta textura, conteúdo, nesses recortes.

Psychokinesis

May 4, 2018 5 min.

O cinema coreano é inventivo e espalhafatoso. Ou serão os próprios coreanos? Em Psychokinesis, o diretor do premiado Invasão Zumbi nos apresenta o que dificilmente Hollywood entende: que filmes de ação ficam melhores quando há um drama no meio. E nesse caso o drama é o elemento principal, tornando o herói do filme um super-herói no sentido literal da palavra. E apesar dos efeitos visuais serem desajeitados em algumas cenas, a alma do filme já é tão bem formada que dificilmente a magia se quebra; ela apenas se torna mais realista.

Vingadores: Guerra Infinita

May 3, 2018 6 min.

Avengers: Guerra Infinita nem parece ter duas horas e meia. E nem parece ter dúzias de super-heróis. Centrado mais no Mal (com letra maiúscula) frio, calculista e encarnado pela figura de Thanos (Josh Brolin), o “maior crossover da história” (by Marvel) é uma guerra que ocorre em diferentes níveis entre diferentes formas de heroísmo. Preferindo ser narrado como um drama fantástico e urgente que tem a cara, a alma e a paleta de cores dos quadrinhos, o trabalho colossal dos dois irmãos diretores Anthony Russo e Peter Russo atravessa fronteiras entre universos e realiza pequenos milagres na composição de quadro, de ritmo, de narrativa e de roteiro (encaixar todo este instigante roteiro e não torná-lo enfadonho é, sim, um trabalho admirável de direção) de forma a compor o maior trailer já visto na história do Cinema em uma produção massivamente inchada de efeitos.

A Câmera de Claire

May 3, 2018 1 min.

Os pedaços do tecido cortado pela menina do filme por raiva lembram os polaroides de Claire. Em um dos momentos finais do filme a vemos tentando vestir um pedaço desse tecido, que ela considera de qualidade fabulosa. Texto e tecido estão relacionamentos etimologicamente, do Latim textum, “tecido, entrelaçamento”. E a Câmera de Claire é essa máquina de costurar, que conta uma história através de suas fotos, que revelam momentos entrelaçados. A textura dessa história depende dos seus personagens, que estão vivos, nas ruas, e mudam toda vez que uma foto deles é tirada.

Acertando o Passo

May 1, 2018 1 min.

Não costumo chorar muito em filmes; a ironia e o sarcasmo tomaram conta do meu coração. Mas em Acertando o Passo o choro vem fácil e natural, já que há momentos dignos de se expressar além da admiração intelectual: quando se age de maneira altruísta e o motivo é porque é assim que a pessoa é, o que a torna completa. E num filme dirigido pelo inconstante Richard Loncraine (que vai de Wimbledon: O Jogo do Amor para Firewall - Segurança em Risco em dois segundos) e escrito de maneira pegajosa com respeito a clichês e estereótipos, sua maior vantagem sem dúvida são as atuações, que são sinceras, maduras, competentes e intensas sem chamar atenção para si mesmas.

Os Fantasmas de Ismael

Apr 29, 2018 1 min.

Um filme sobre como é construir filmes, peças ou livros. O processo criativo é destrinchado aqui sutilmente conforme percebemos que os personagens da ficção dentro da fição em Os Fantasmas de Ismael possuem características e situações semelhantes com os personagens da “vida real” que acompanhamos. Porém, ao perceber que essa vida real possui clichês “pesados” demais (como a ex-mulher que ressurge depois de mais de vinte anos desaparecida) tudo fica mais claro para o espectador.