Palavrões

Tão diferente que perde o foco. Porém, é um “indie” no conceito básico dessa nova categorização: muitas das coisas que vemos em Palavrões dificilmente estaria em uma produção hollywoodiana.

Mas isso é bom? Em certos momentos, sim. Como a divertida relação entre o “gênio” Guy Trilby e uma criança indiana que se torna (à marra) seu amigo.

Porém, em outros momentos, o filme se perde feio no que deseja contar. A premissa é interessante: um adulto acha uma brecha nas regras dos campeonatos de soletração para crianças e vira um competidor. Seu objetivo? É sobre isso que o filme deveria tratar. Em vez disso, vemos algum discurso criticando o status quo e a própria existência de regras, mas nada muito profundo. Jason Bateman, que atua e dirige, parece se divertir excessivamente por estar rodando um filme se muitas barreiras, mas se esquece do seu público no meio do caminho.

Isso quer dizer que Palavrões consegue, sim, ser um filme interessante, pela inusitada história e seu inusitado desenvolvimento. Porém, está longe de alcançar a maturidade, preferindo se manter inexplicavelmente sob o ponto de vista de seu “herói”, um adulto com sérios problemas de relacionamento e que vive as consequências disto.

★★★☆☆ Wanderley Caloni, 2016-06-26 imdb