Para Maiores

Um projeto que envolve diferentes diretores, roteiristas e atores em torno da comédia “nonsense” que tem algo a acrescentar (ou não) ao humor. O filme vem embalado em uma história central que envolve três jovens envolvidos em uma busca na internet por um filme proibido que se assistido pode causar um cataclisma mundial – e que na verdade é uma pegadinha de Primeiro de Abril. Esse é o pano de fundo perfeito para jogar na tela vários curtas com temas bizarros que se aproveitam ou da comédia do absurdo ou, em alguns casos, de um caso de amor entre o surreal e o psicótico. De qualquer forma, o resultado de todas as experiências é frenético, empolgado e que fará pensar, nem que seja por 5 segundos.

Talvez toda essa energia tenha sido obtida de um casting genial, seja entre os atores como entre os roteiristas e diretores, a maioria já acostumada com o subgênero “comédias de filmes ruins” (aquele que assistimos com a família e eles acham o máximo). O produtor, Peter Farrelly, e seu irmão Bobby estão acostumados a obras um pouco acima da média, como “Quem Vai Ficar Com Mary?” e “Debi & Lóide”. Outros diretores são culpados por “Segurança de Shopping” e equivalentes. De qualquer forma, não apenas os cinco minutos de fama de cada um se torna interessante per se, mas todos eles parecem conseguir achar o seu lugar na “dark web”, ou nessa atmosfera pseudo-subversiva de estar navegando na internet procurando por algo proibido.

É por isso que não estranhamos quando vemos a história do homem com dois testículos no pescoço (Hugh Jackman, ótimo por causa de Kate Winslet) e nem com um encontro rápido entre super-heróis (que usa até metalinguagem, misturando um elenco envolvido com filmes como Homem de Ferro e Homem-Formiga). E se a maioria das gags parece envolver sexo e escatologia de uma forma mais ou menos doentia, como quando uma garota pede que seu namorado faça cocô em cima dela como algo super-romântico (e onde J.B. Smoove está hilário), outras usam o tema só como pano de fundo para sugerir alguma crítica muito velada a algum estilo de vida ou a uma maneira de pensar, como o que os homens acham das mulheres menstruadas (e onde Chloë Grace Moretz fica impossivelmente jovem) ou “homeschooling”.

Seja como uma daquelas piadas exageradas que sempre seriam vistas como péssimas em filmes mais longos, ou experimentos que nunca deveriam ser tentados em qualquer trabalho mais ou menos sério ou com mais de um milhão de orçamento, o detalhe é que isso funciona perfeitamente bem no formato proposto, e o filme voa em sua uma hora e meia, quase como um comercial mal-intencionado (e por falar nisso, um bônus são os comerciais “nonsense”, que servem como uma pausas para respirar muito bem-vindas).

Você pode até achar “Para Maiores” tempo jogado fora, se seu objetivo for assistia uma comédia que saia dos eixos do pastelão ou comédia romântica, e talvez tenha razão. É um filme de fim de noite, despretensioso do começo ao fim, mas que justamente por isso tem muito mais a oferecer do que piadas pseudo-inteligentes em torno de atendentes de uma loja de conveniência (você não foi convidado, Kevin Smith? ótimo: Seth MacFarlane, de Family Guy, foi).

★★★★☆ Wanderley Caloni, 2016-07-03. Para Maiores. Movie 43 (USA, 2013). Dirigido por Elizabeth Banks, Steven Brill, Steve Carr, Rusty Cundieff, James Duffy, Griffin Dunne, Peter Farrelly, Patrik Forsberg, Will Graham. Escrito por Rocky Russo, Jeremy Sosenko, Ricky Blitt, Rocky Russo, Jeremy Sosenko, Bill O'Malley, Will Graham, Jack Kukoda, Rocky Russo. Com Dennis Quaid, Greg Kinnear, Common, Charlie Saxton, Will Sasso, Odessa Rae, Seth MacFarlane, Mike Meldman, Hugh Jackman. imdb