Para Minha Amada Morta

Mar 29, 2016

Imagens

Um thriller psicológico brasileiro envolvente. A presença da possibilidade do mal é o que prende a atenção para o espectador, mas é apenas o pano de fundo de críticas interessantes sobre o cinismo e a hipocrisia da sociedade e da religião.

No começo temos um drama sobre a perda da pessoa amada e a lenta recuperação. Essa atmosfera se torna ideal para o baque que vem a seguir. A traição da mulher, gravada em vídeo, é mais dolorosa pela incapacidade de compreender, agora que ela se foi. O que resta a Fernando, o viúvo, é adentrar em um mundo psicótico, onde ele observa de perto a vida do ex-amante, junto de esposa e filhas.

O clima de tensão é estarrecedor. O diretor faz aqui com o engenheiro de som e trilha sonora uma macumba fabulosa com sua câmera, que se fecha para o mundo externo, revelando na obsessão do protagonista. Os enquadramentos do que pode ser o golpe fatal são infinitos, mas infinito mesmo se torna o ódio contido na observação impassível de Fernando.

O uso de elementos recorrentes, como a arma, as fitas de vídeo, as roupas, revelam algumas características desse discurso que talvez seja melhor deixar de lado, como um aparente lado anti-armas que pode se tornar ridículo com o tempo ou cultura diferentes. No entanto, note como nada que Fernando faz chega a ser agressão, e quando se torna, como a invasão à casa de seu senhorio, é pelo menos discutível.

Um filme para mentes fortes, com ideias poderosas.

Wanderley Caloni, 2016-03-29. Para Minha Amada Morta. Para Minha Amada Morta (Brazil, 2015). Dirigido por Aly Muritiba. Escrito por Aly Muritiba, Aly Muritiba. Com Fernando Alves Pinto, Mayana Neiva, Lourinelson Vladmir, Giuly Biancato, Michelle Pucci, Vinicius Sabbag. IMDB. Texto completo próximo ou após a estreia no CinemAqui.