Para Sempre Cinderela

Esta revisita nos anos 90 ao conto dos irmãos Grimm usa os próprios documentaristas dessa fábula folclórica para dar um laço mais realista à história imortalizada por Disney. Usa atores competentes em situações interessantes – o que Morgana faz como a madrasta? – e ao mesmo tempo decide formatar seu núcleo em um romance convencional, de época e água com açúcar. Mas, ainda assim, apaixonante.

Temos como Cinderela Drew Barrymore, a queridinha da época e uma das panteras. O príncipe é Dougray Scott, que harmoniza ingenuidade e pomposidade de um sangue azul. Seus pais não querem que ele se case com uma plebeia, que se torna órfã a partir do momento que é entregue aos cuidados de sua inconsolável madrasta, Rodmilla (Huston). Há um quê histórico nessa nova versão que parece querer dar motivos para a aparente irracional maldade de Rodmilla, e é Anjelica Huston que consegue ser a peça-chave nesse núcleo emocional. Entendemos suas motivações e abraçamos o conto dessa vez muito melhor, já que a realidade das tragédias da vida real é um embrulho muito melhor do que a pura maldade em si.

Da mesma forma suas duas filhas, constituída pela bonitinha da casa e pela gordinha. Elas não são comparsas nas maldades com a meia-irmã, e frequentemente discordam das atitudes da mãe em relação à Cinderela.

E do lado da nobreza, nem precisava se esforçar muito. O casamento sem interesse já era algo inconcebível na época em que o filme se passa, e se torna emocionante esse embate moral, seja com os pais ou com o próprio príncipe.

Filmado com calma, com uma trilha sonora serena e uma fotografia que transforma os poucos recursos da trama em castelos imortais e um baile rebuscado, Para Sempre Cinderela comprova que nem sempre recontar uma história é algo repetitivo ou enfadonho. É necessário uma nova época para enxergarmos os mesmos contos sob uma nova ótica.

★★★★☆ Wanderley Caloni, 2016-11-17 imdb