Paradox

2017/04/01

Paradox é o tipo de filme que vale a pena conferir pelos conceitos de seu roteiro. Ele é produzido em baixo orçamento, com fotografia de televisão, trilha sonora enlatada e atuações sofríveis. Porém, ignorando tudo isso, este é o filme de viagem no tempo que estava faltando: um que ironicamente evite nos colocar na velha questão dos paradoxos temporais.

Se mantendo o tempo todo em um laboratório subterrâneo, uma equipe inusitada de cientistas realiza a primeira viagem no tempo da história para constatar que a natureza humana é podre. Uma hora após ligar a máquina (e próximo do final do filme) praticamente todos estarão mortos por um assassino misterioso, que é o grande mistério que nossos heróis do passado precisarão desvendar se quiserem continuar vivos.

Porém, como eles próprios sabem, apesar de em vários momentos não admitirem, se a viagem no tempo é possível – e ela é – paradoxos não são permitidos. O que significa que a velha questão se destino existe está respondida: sim! E não há nada que possam fazer a não ser acompanhar os acontecimentos e entregar para nós, espectadores, o prazer de um “trash” focado mais em ideias em vez de sangue. Mas, ainda assim, escorre muito sangue.

A melhor diversão da história é acompanhar duas repetitivas situações: as constantes “gafes” de roteiro e um vídeo capturado do futuro. Através das gafes acompanhamos a primeira decapitação intertemporal (no melhor estilo jogos de videogames em primeira pessoa) e pessoas falando o que está acontecendo (“ele está olhando para nós”, “isso está acontecendo mesmo”). Através do vídeo do futuro acompanhamos o personagem da cadeira de rodas, que se diverte em ouvi-lo repetir as mesmas frases que ele ouviu de si mesmo. E o que dizer de uma câmera digital em que o vídeo vai sendo restaurado na ordem e de uma equipe de supostos gênios que em vez de tomar decisões racionais a respeito do que sabem sobre determinismo (ex: evitando a todo custo repetir o que aconteceu) preferem simplesmente entrar em pânico; o mesmo pânico que encontraremos uma hora depois. Gênios!

Mas estou estragando parte do prazer que é assistir a um filme desses, que é ir tentando desvendar a mente das pessoas envolvidas em uma aventura muito doida. E, depois de assistido, você ainda terá o prazer de debater horas a fio com seus amigos a respeito da impossibilidade de paradoxos em viagens no tempo. Portanto, recomende esse filme. Eu estou apenas passando adiante. Ainda não consegui viajar no futuro para ver o que vai acontecer com o passado.

★★★☆☆ Paradox. USA, 2016. Direction: Michael Hurst. Script: Michael Hurst. Cast: Zoë Bell (Gale). Malik Yoba (Mr. Landau). Adam Huss (Jim). Bjørn Alexander (Lewis Aberricki). Brian Flaccus (William Wishman). Michael Aaron Milligan (Randy Fraker). Steve Suh (Van Lang). Darren Bailey (SWAT Team). Nick Benseman (SWAT Team). Edition: Robert Meyer Burnett. Cinematography: Eric Gustavo Petersen. Soundtrack: Alexander Bornstein. Runtime: 90. Gender: Action. Category: movies Tags: netflix

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