Paradox

Paradox é o tipo de filme que vale a pena conferir pelos conceitos de seu roteiro. Ele é produzido em baixo orçamento, com fotografia de televisão, trilha sonora enlatada e atuações sofríveis. Porém, ignorando tudo isso, este é o filme de viagem no tempo que estava faltando: um que ironicamente evite nos colocar na velha questão dos paradoxos temporais.

Se mantendo o tempo todo em um laboratório subterrâneo, uma equipe inusitada de cientistas realiza a primeira viagem no tempo da história para constatar que a natureza humana é podre. Uma hora após ligar a máquina (e próximo do final do filme) praticamente todos estarão mortos por um assassino misterioso, que é o grande mistério que nossos heróis do passado precisarão desvendar se quiserem continuar vivos.

Porém, como eles próprios sabem, apesar de em vários momentos não admitirem, se a viagem no tempo é possível – e ela é – paradoxos não são permitidos. O que significa que a velha questão se destino existe está respondida: sim! E não há nada que possam fazer a não ser acompanhar os acontecimentos e entregar para nós, espectadores, o prazer de um “trash” focado mais em ideias em vez de sangue. Mas, ainda assim, escorre muito sangue.

A melhor diversão da história é acompanhar duas repetitivas situações: as constantes “gafes” de roteiro e um vídeo capturado do futuro. Através das gafes acompanhamos a primeira decapitação intertemporal (no melhor estilo jogos de videogames em primeira pessoa) e pessoas falando o que está acontecendo (“ele está olhando para nós”, “isso está acontecendo mesmo”). Através do vídeo do futuro acompanhamos o personagem da cadeira de rodas, que se diverte em ouvi-lo repetir as mesmas frases que ele ouviu de si mesmo. E o que dizer de uma câmera digital em que o vídeo vai sendo restaurado na ordem e de uma equipe de supostos gênios que em vez de tomar decisões racionais a respeito do que sabem sobre determinismo (ex: evitando a todo custo repetir o que aconteceu) preferem simplesmente entrar em pânico; o mesmo pânico que encontraremos uma hora depois. Gênios!

Mas estou estragando parte do prazer que é assistir a um filme desses, que é ir tentando desvendar a mente das pessoas envolvidas em uma aventura muito doida. E, depois de assistido, você ainda terá o prazer de debater horas a fio com seus amigos a respeito da impossibilidade de paradoxos em viagens no tempo. Portanto, recomende esse filme. Eu estou apenas passando adiante. Ainda não consegui viajar no futuro para ver o que vai acontecer com o passado.

★★★☆☆ Wanderley Caloni, 2017-04-01 imdb