ParaNorman

Jan 20, 2013

Imagens

A única proposta original em Paranorman é que o seu protagonista consegue ver e falar com os mortos. Aliado a isso, a proposta infantil de lidar com o além-vida envolvendo um mundo de zumbis e bruxas, embora interessante enquanto desenvolve esse conceito atrelado à visão primitiva e violenta que as pessoas tinham em relação ao desconhecido, está envolta em mais e mais clichês que vão enfraquecendo o núcleo da sua original ideia.

O que é uma pena. Assim como Frankenweenie, as animações tem ganhado em expandir discussões geralmente restrita ao mundo dos adultos em forma de aventuras despretensiosas envolvendo crianças e animais de estimação. No entanto, diferente deste, nem a estilização curiosa de seus personagens consegue impressionar. Norman é um garoto normal e não possui nada especial exceto sua comunicabilidade com os mortos. Esse “dom” é usado para enganchar um dramazinho particularmente desinteressante a respeito do garoto ainda conversar com a falecida avó, que insiste em continuar na sala assistindo TV, e o desconforto dos seus pais de que o seu modo diferente de encarar a morte possa prejudicar seu desenvolvimento enquanto criança e covardemente temem que eles próprios sejam expostos às diferenças do seu filho.

Além do clichê da família problemática ainda temos o melhor amigo gordinho (o alívio cômico ingênuo) e a irmã mais velha que só pensa no físico dos rapazes de sua idade e cujos comentários giram irritantemente em torno das novidades tecnológicas do momento — You Tube, Facebook —, o que já marca desde já o filme como datado e indiretamente nos lembra seu caráter aproveitador da tendência temporária de glorificar qualquer conteúdo da mídia que fale sobre zumbis.

E por falar em tendência, a conclusão das aventuras do menino freak volta a interessar pela discussão importantíssima sobre os reflexos atuais de uma sociedade em pleno século XXI e que se comporta de maneira cada vez mais intolerante para com as diferenças alheias. Só que até chegarmos lá teremos que passar por diálogos capengas emoldurados em cenas irritantemente longas e desnecessárias, tudo para que tenhamos a duração mínima de um filme. Paranorman é o filme que já chega tentando vender uma possível franquia ou série quando deveria ter começado apenas pelo último.

Wanderley Caloni, 2013-01-20. ParaNorman. ParaNorman (USA, 2012). Dirigido por Chris Butler, Sam Fell. Escrito por Chris Butler. Com Kodi Smit-McPhee, Tucker Albrizzi, Anna Kendrick, Casey Affleck, Christopher Mintz-Plasse, Leslie Mann, Jeff Garlin, Elaine Stritch, Bernard Hill. IMDB.