Pauline Kael: A Pior e Mais Ridícula Crítica de Todos os Tempos?

May 7, 2018

Estava lendo um dos livros de Pauline Kael, uma das poucas coletâneas disponíveis dessa escritora que é considerada a melhor da história do Cinema, 5001 Nights at the Movies. Nesse livro em questão há resenhas rápidas que eram publicadas nos rodapés do jornal onde Kael escrevia. São texto curtos, de um parágrafo no máximo, mas que fluem, embora condensados em uma ou duas impressões no máximo sobre o filme analisado. Apesar de ser divertido de ler, falta textura, conteúdo, nesses recortes. Portanto procurei por esta textura que tanto falam a respeito dos textos de Kael pela internet. Por um bom tempo me perguntei onde estariam esses textos completos e mais densos dessa escritora, e por que eles não viraram relevantes coletâneas para a análise da crítica cinematográfica. E no meio dessas minhas pesquisas eis que surge o texto de Alex Sheremet.

Sheremet esmiuça o contexto circunstancial em que Kael se tornou relevante não apenas para o Cinema, mas para todo tipo de crítica. Em Pauline Kael: one of film’s worst and most ridiculous critics o escritor analisa como atualmente diversos críticos uma vez considerados importantes autoridades no assunto estão sendo desbancados por uma análise minuciosa de seu conteúdo. Sheremet tem um bom motivo para fazer esta análise. Ele é o autor de Woody Allen: Reel To Real, um livro que analisa a cinematografia de Allen que Pauline Kael tanto fazia questão de desbancar. No entanto, indo a fundo nos textos de Kael, Sheremet consegue de lá escavar a irrelevâncias das críticas de Kael ao cineasta nova-iorquino.

No texto em que critica outro autor, Jonathan Rosenbaum, ele diz o seguinte: “The problem, however, is not that Rosenbaum is negative or dismissive, but that, like Pauline Kael before him, he rarely offers any real evidence for his claims — many of his reviews are a mere four to five sentences long — and when he does, they simply don’t align with the assertions made. So, for a purportedly comprehensive essay titled “Some Notes Toward a Devaluation of Woody Allen”, there is remarkably little evaluation, to start, and even less Woody Allen, the essay’s purported subject.”

E é exatamente isso que vemos em 5000 Nights. São textos que acertam algumas vezes sobre o filme em questão, e erra tantas outras. Assim como no Cinema, onde o espectador precisa ajudar o filme a criar textura, os textos de Kael precisam que o leitor use a imaginação para inserir as percepções da escritora no filme de fato. Mas isso nem sempre funciona. Sheremet também comenta que ele não foi o primeiro crítico de Kael que surgiu. Contemporâneo a ela temos Renata Adler, sua maior crítica, e que Alex comenta que ela “não bateu forte em Kael quanto poderia”.

Enfim, o texto é longo e minucioso e não cabe aqui abri-lo. É um primeiro passo interessante nesse mundo da “crítica da crítica”, pois abre um terreno poderoso e frutífero na nossa era da internet: onde ninguém, absolutamente ninguém, está a salvo de ser duramente e propriamente criticado.

Wanderley Caloni, 2018-05-07. Pauline Kael: one of film's worst and most ridiculous critics. Alex Sheremet. Site: http://alexsheremet.com/pauline-kael-one-films-worst-ridiculous-critics. Data: 2014-11-19. Acessado em: 2018-05-07.