Pee-wee's Big Holiday

Uma experiência lúdica que infelizmente se entrega ao televisivo. Pee-wee Herman já é um personagem conhecido, um misto cômico de Bob Esponja e Mr. Bean que não consegue desempenhar bem nenhuma dessas personas (e se pudesse, seria uma simples cópia) e o resultado é muitas vezes o inverso, tal qual aquele palhaço que vimos na infância e nos apavorou por noites seguidas em nossos piores pesadelos.

O que torna Bob Esponja divertido são as piadas com fundo do mar, que flerta inocentemente com a visão adulta da criança dentro de nós. Mr. Bean é uma crítica ácida à arrogância do britânico estereotipado. Pee-wee não consegue ser nem tão inocente quanto Bob Esponja e nem tão digno de pena quanto o atrapalhado personagem de Rowan Atkinson.

O filme se trata de um road movie em que Pe-wee sai pela primeira vez de sua cidadezinha pacata e previsível. O rapaz chega a criar uma maquete da cidade e na sua saída um senhor atualiza o número de habitantes sempre que passa pela fronteira.

Seu destino é a oposta Nova Iorque, cosmopolita e lar de Joe Manganiello, com quem fez uma amizade instantânea quando ambos descobriram que possuem várias coisas em comum, incluindo um doce chamado “barrilzinho doce”.

Pee-Wee pode ser doce e inocente. Esse não é o problema. O problema é quando o filme se trata como doce, inocente e infantil. Infantil demais. Não chega a entreter uma criança, e dificilmente irá ganhar as graças de um adulto.

As personagens que desfilam são episódicas, passageiras e tão improváveis quanto Pee-Wee, mas mais uma vez, isso não é um problema. O problema é que elas são estereotipadas, previsíveis e enfadonhas exatamente como a cidade em que Pee-Wee vive, tornando sua aventura uma simples extensão de seu quintal.

★★☆☆☆ Wanderley Caloni, 2016-03-29 imdb