Peles

Um filme necessário para os negadores da estética objetiva. Aqueles que dizem que “não existe feio” ou que tudo é subjetivo. Porém, este é um filme pesadíssimo, onde uma moça tem sua parte traseira na cara, uma menina sem olhos é mantida em cativeiro e dois deformados se amam e fazem sexo. As cenas são tão pesadas que colorir toda aquela realidade de rosa e roxo parece inevitável. Pelo menos tenta disfarçar a miséria da vida e a miséria que somos como humanidade.

As diferentes histórias que lidam com aceitação se entrecruzam de uma maneira elegante e apenas onde precisam. Aqui há uma ode a todo tipo de gênero e espécie, e mesmo que um garoto queira retirar suas pernas e virar uma sereia, a vilã é sua mãe que o criou sozinho. Não tenho certeza se tudo isso não é uma crítica à nossa sociedade do politicamente correto e da – deus nos livre – tolerância indiscriminada. O absurdo das situações parecem tornar essa teoria cada vez mais plausível em um filme que não tem medo do grosseiro, desde que seja usado para refletirmos.

Só há dor e sofrimento em Peles, mas ela é necessária para que os temas pesados que são abordados sejam realmente sentidos do ponto de vista de pessoas normais e saudáveis. O que não quer dizer que os personagens que sofrem no filme sejam dignos de pena, mas é o que o filme parece querer dizer, já que essa é a única forma de nos relacionarmos com seus dramas. E uma história que poderia servir para mostrar a riqueza dos diferentes a usa para mostrar como essas pobres criaturas são dignas de pena.

★★★★☆ Wanderley Caloni, 2017-04-21. Peles. Pieles (Spain, 2017). Dirigido por Eduardo Casanova. Escrito por Eduardo Casanova. Com Macarena Gómez (Laura), Jon Kortajarena (Guille), Carolina Bang (Psiquiatra), Ana Polvorosa (Samantha), Candela Peña (Ana), Carmen Machi (Claudia), Secun de la Rosa (Ernesto), Eloi Costa (Cristian), Joaquín Climent (Alexis). imdb