Pendular

Sep 18, 2017

Imagens

O segundo longa ficcional de Júlia Murat (“Histórias que Só Existem Quando Lembradas”) é uma espécie de introspecção do artista, visto sob os olhares do público. Poderíamos esperar desse filme alguma história envolvendo o processo de criação, os devaneios e os esforços de seus criadores, ou até mesmo algo sobre a composição da personalidade das pessoas que fazem o pós-moderno existir. Porém, o projeto se boicota logo no começo. “Foda-se a coerência”, diz um dos artistas. Então tá. Junto dessa premissa o que segue não é sequer uma narrativa empolgante pela impetuosidade, pela selvageria ou até pela lógica dadaísta. O que vemos é simplesmente o nada acontecendo. Vidas normais correndo juntas. Um conflito ou outro. Possivelmente alguns símbolos pelo caminho, símbolos esses que ninguém se importa. Eu até inventei um: “pain” do lar. É a dor deles viverem nesse galpão perigoso e nojento. Está em uma mistura de inglês/português porque o casal principal parece que fala em idiomas diferentes. Apenas no sexo parecem se entender. É um filme longo que não conta a história de nada da melhor maneira possível, se é que isso é possível. O resultado é algo que não vai conseguir ficar na sua mente nem pelos primeiros cinco minutos após o final. Boa sorte em racionalizar a incoerência. É preciso muito exercício intelectual para criar-se uma obra relevante. Para Murat e seus personagens, aparentemente tudo isso não importa.

Wanderley Caloni, 2017-09-18. Pendular. Pendular (Brazil, 2017). Dirigido por Júlia Murat. Escrito por Júlia Murat, Matias Mariani. Com Raquel Karro (Ela), Rodrigo Bolzan (Ele), Valeria Barretta (Dolores), Renato Linhares (Leco), Neto Machado (Gal), Martina Revollo (Martina), Felipe Rocha (Donato), Larissa Siqueira (Luiza), Marcio Vito (Rui). IMDB. Texto completo próximo ou após a estreia no CinemAqui.