Penelope

2014/04/05

Peguemos um livro de contos infantis e transformemos em um filme live-action (com atores de carne-e-osso). Pode ser aquela história da maldição da empregada que é renegada pelo seu amor de um aristocrata — de novo? — e cuja mãe é uma bruxa e roga uma praga que transforma a primeira filha da família de sangue azul em uma abominação. Quer dizer, o nome “abominação” vai depender de quem consegue enxergar na bela Cristina Ricci um monstro, quando no fundo a única coisa que incomoda em seu visual são suas orelhas flácidas e seu focinho de porco. Nada que justifique tantas janelas quebradas de pretendentes que parecem ter se encontrado com uma besta selvagem prestes a devorá-los.

Porém, a virada de expectativas que o filme prometia — onde o monstro não é Cristina Ricci, mas a sociedade onde ela vive (família inclusa) — ele alcança defeituoso. Nas amizades que a garota ganha quando escolhe sua independência — incluindo a bonitinha Reese Witherspoon — há uma crítica ácida sobre as pessoas que buscam contato com pessoas famosas em algum lugar, mas que se perde no roteiro de Leslie Caveny, acostumado com produções televisivas de fácil degustação e pouca recompensa cinéfila. E o que dizer da reviravolta bobinha a respeito do que poderia quebrar a maldição?

Entre altos e baixos Penélope alcança o seu divertimento moderado em poucos momentos onde é claro se devemos rir ou chorar (incluindo a “moral de história”). Um passatempo televisivo que se veste como Cinema, contudo, não merece muita atenção. Sobre o que falávamos, mesmo?

★★★☆☆ Penelope. UK, 2006. Direction: Mark Palansky. Script: Leslie Caveny. Cast: Richard E. Grant. Catherine O'Hara. Nick Prideaux. Michael Feast. Christina Ricci. Ronni Ancona. Simon Woods. Paul Herbert. Simon Chandler. Edition: Jon Gregory. Cinematography: Michel Amathieu. Soundtrack: Joby Talbot. Runtime: 104. Ratio: 2.35 : 1. Gender: Comedy. Category: movies

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