Pets: A Vida Secreta dos Bichos

O estúdio responsável pelo Meu Malvado Favorito e Os Minions agora vem reciclar sua biblioteca de criaturas e vai explorar justamente mas uma coisa que humanos acham uma fofura: animais domesticados.

E não se sai tão mal em seu início.

Introduzindo a rotina dos pets em Nova Iorque (sempre ela), com seus donos saindo pela manhã e voltando à tarde, o roteiro escrito a várias mãos explora essa noção que temos dos animais. O cachorro como amigo fiel, o gato como um ser que não está nem aí para humanos, e assim por diante. A animação é de qualidade, e o uso de cenas panorâmicas e câmeras se movendo por cima de uma versão romantizada de NY torna tudo aquilo muito fofinho e engraçado.

Depois entramos em uma trama mais que conhecida. Uma das donas de um dos cachorros (que é o protagonista, o…. Max) arruma um segundo cachorro muito maior, e juntos os dois acabam se desentendendo, entrando em uma enrascada, depois uma aventura e acabam bons amigos. Fim.

“Tudo isso” para apresentar diferentes bichos em diferentes situações na cidade. Temos a gangue do coelho, com seu porco tatuado, um crocodilo e uma víbora, que moram nos esgotos da cidade (e menosprezam os humanos porque ninguém quis ficar com eles), temos um gavião que também não tem amigos, mas decide criar laços com uma cachorrinha só porque ela prometeu fazer amizade se achasse o amor dela perdido por aí, e temos mais alguns bichos que irão preencher as lacunas dos estereótipos que faltam (o veterano de cadeira de rodas, o porco-da-índia engraçadinho e sem personalidade, etc).

Toda essa turma no fundo foi criada para se divertir e fazer piadas divertidas. Não é muito diferente do que já vimos nos filmes anteriores do estúdio, mas acaba sendo um pouco superior a Minions, que tem a proeza de sequer conseguir terminar sua história decentemente.

Aqui reina o clichê com piadinhas cada vez mais idiotas. Elas começam bem, mas vão aos poucos degringolando em um básico e primitivo “porque sim”. Quando a preocupação dos roteiristas muda do instigante para o “deixa pra lá”, o resultado acaba decepcionando um pouquinho mais a cada minuto de filme. Para piorar a situação, os dubladores do Brasil parecem inspirados em tentar tirar leite de pedra com sotaques e gírias que vão se tornar incompreensíveis daqui a dez anos. Mas quem vai assistir esse filme depois de dez anos?

Bom, mas o importante é que tudo se resolve em mais um dia no reino das franquias. Se colar e o filme fizer bastante sucesso, é isso que teremos.

★★★☆☆ Wanderley Caloni, 2016-09-11 imdb