Pica Pau: o Filme

2017/11/06

Em todos esses anos dessa indústria vital, essa é a primeira vez que isso me acontece. Nem os novos desenhos politicamente corretos do pica-pau de cabeça vermelha estragaram a magia. Mas este “Pica-Pau: A Animação de Computador da Década de 90” de fato consegue nos fazer renegar que esse passarinho biruta tem qualquer relação com os desenhos originais.

A pegada do filme é passarinho de computador que fala com a gente, tem momentos engraçadinhos sozinho em cena pra vender um conceito mercadológico e uma história requentada com todos os clichês possíveis sendo mal utilizados. Pais separados, filho abandonado, namorada mais jovem do pai (que é burra e fútil), especulação imobiliária, poder dos ricos sobre os pobres, dupla de capangas estilo um esperto e outro estúpido, festival na cidadezinha, banda de jovens e música pop. Nomeie qualquer um desses e mais alguns e ele estará no filme da pior maneira possível junto da comédia física necessária para Pica-Pau brilhar.

E o Pica-Pau apenas brilha porque todo o resto é muito, muito ruim. No original pode ser até melhorzinho, mas a dublagem brasileira está muito próximo do horrível aqui. Então a única coisa que dá um respiro no filme é ouvir suas frases idiotas resumindo a situação. O pessoal quer construir uma casa no meio da floresta em que ele vive, ele olha para a câmera e diz “vou ter que dar um jeito neles”. Daí ele sai voando e… dá um jeito neles. Ha ha ha.

A melhor piada, construída com tempo suficiente, são as inúmeras noites em que vemos o pai tentando dormir com o som de picadas do passarinho que nunca dorme. Note como o humor do pai se altera a cada novo momento. Essa é a única progressão minimamente interessante do filme inteiro. O resto é um bolo de previsibilidade que você já sabe onde vai dar.

Mas aparentemente apenas nós, espectadores, sabemos disso. Os roteiristas não. Eles não possuem a menor idéia de como fazer isso funcionar de maneira minimamente interessante. Durante o filme inteiro Pica-Pau não consegue ser capturado porque é muito esperto. A menos quando ele precisa ser capturado para dar andamento à história, e então magicamente ele é capturado. É dessa forma desinteressante que o filme desenvolve sua história, usando seus personagens quando eles são úteis, e descartando-os quando não se precisa mais deles.

Pica-Pau: O Filme sequer consegue ser um filme de abertura. Em certo momento de perigo ele exclama para a câmera: “acho que esse filme não vai ter continuação!” Eu mantenho essa exclamação e te digo, rapazinho: espero que você tenha razão.

★☆☆☆☆ Woody Woodpecker. USA, 2017. Direction: Alex Zamm. Script: Alex Zamm. William Robertson. Walter Lantz. Ben Hardaway. Daniel Altiere. Steven Altiere. Cast: Timothy Omundson (Lance Walters). Thaila Ayala (Brittany). Eric Bauza (Woody Woodpecker). Graham Verchere (Tommy Walters). Jordana Largy (Samantha Bartlett). Scott McNeil (Nate Grimes). Adrian Glynn McMorran (Ottis Grimes). Chelsea Miller (Jill Ferguson). Jakob Davies (Lyle). Edition: Heath Ryan. Cinematography: Barry Donlevy. Soundtrack: Chris Hajian. Runtime: 84. Ratio: 1.78 : 1. Gender: Animation. Release: 5 October 2017. Category: movies Tags: cinema dublado

Share on: Facebook | Twitter | Google