Pixels

O que fizeram com aquele curta-metragem tão criativo em que bastavam dois minutos para explorar 100% de um conceito? Talvez o nome Adam Sandler resposta essa questão.

Antes de continuar, assista ao curta, eu espero.

OK. Independente se você já assistiu ou espera assistir Pixels, novo filme de Adam Sandler maculando o currículo do diretor Chris Columbus (que já não está tão limpo assim), é preciso notar que sequer todas as ideias de um curta de dois minutos serão usadas em uma produção de quase duas horas (e que parecem mais). E o que é colocado no lugar? A fórmula batida do par romântico, das piadas de canastrão, dos personagens convenientes (como o de Kevin James, que de segurança de shopping de outros dois filmes agora é o presidente dos Estados Unidos), e das coincidências coletivas, como o par romântico de Sandler (Michelle Monaghan) ser a cliente do dia e tenente-coronel da Casa Branca, ser divorciada como ele e ter um garoto adorável, preenchendo os requisitos para ser a pretendente do nunca criativo Sandler. Ou você acha que essas ideias surgiram das cabeças dos roteiristas Tim Herlihy (Afinado no Amor/Um Maluco no Golfe/Little Nick)? Bem…

A história é mais ou menos a seguinte: existiam uns garotos que gostavam de jogar fliperama, participaram de um campeonato mundial em que o persona-criança de Sandler quase ganhou (perdeu para Peter Dinklage, o anão de Game of Thrones). As imagens do campeonato foram enviadas pela NASA em uma sonda, aparentemente a única coisa que eles mandaram, pois essas imagens foram capturadas por seres alienígenas que gastaram seus recursos construindo um sistema semelhante aos jogos vistos como uma espécie de aceite de uma declaração de guerra, além dos gastos em uma viagem interplanetária. Agora a solução para os terráqueos é guerrear e ver quem leva a melhor de três. Sim, há essa regra também.

Apesar da ideia absurda, sempre há a possibilidade de ser algo divertido (Círculo de Fogo), mas aqui isso não acontece porque não há muito clima sabendo que o planeta inteiro pode ser destruído, mas não de uma maneira “divertida” como em “2012”). Os que se divertem mesmo sabendo disso são os personagens de Sandler e seu amigo desajustado (mais um clichê de seus filmes), um Josh Gad eficiente apesar de ser um estereótipo (o lunático das teorias da conspiração). Quem se diverte também, à sua maneira habitual, é Peter Dinklage, que aparentemente é o que menos se preocupa com tanta bobagem acontecendo.

De uma maneira ou de outra, contando piadas de gays apaixonados por heroínas de games, tirando sarro do linguajar britânico ou imaginando um mundo onde a popularidade do presidente é medida de uma em uma hora, Pixels possui uma noção bem particular de diversão, e é possível que você se enquadre no que ele espera de um espectador. Contudo, se por algum motivo a fórmula não funcionar para você, não se preocupe. Como podemos constatar, até alienígenas podem se enganar. Principalmente quando diz respeito a detectar vida inteligente.

★★☆☆☆ Wanderley Caloni, 2015-07-21. Pixels. Pixels (USA, 2015). Dirigido por Chris Columbus. Escrito por Tim Herlihy, Timothy Dowling, Tim Herlihy, Patrick Jean. Com Adam Sandler, Kevin James, Michelle Monaghan, Peter Dinklage, Josh Gad, Matt Lintz, Brian Cox, Sean Bean, Jane Krakowski. imdb