Planeta dos Macacos: A Guerra

Nov 19, 2018

É impressionante a qualidade constante dessa nova trilogia. Planeta dos Macacos: A Guerra mantêm as mesmas virtudes técnicas e narrativas de seu antecessor (Planeta dos Macacos: O Confronto) e segue a mesma história do filme inicial que é o mais fraco de todos, mas se ancora na força de sua ideia e nas referências ao “Planeta dos Macacos” original (aquele com Charton Helston).

Esta é uma produção que foi crescendo com o tempo. Iniciado pelo inexpressivo diretor Rupert Wyatt e elencando o fraco James Franco para o papel de mentor do primeiro macaco inteligente a se rebelar, ainda que Planeta dos Macacos A Origem tenha em sua história os elementos necessários para que toda a saga ganhe peso (como a viagem ao espaço que sabemos que irá dar errado) o filme em si carrega um pouco na questão da inteligência símia e de como ela surgiu. Por outro lado, não deixa de ser adorável observar o que os efeitos visuais com a captura de movimento e expressões tem feito para o Cinema. Andy Serkis é o mestre nessa arte desde a trilogia de O Senhor dos Anéis e aqui percebemos a franca evolução do ator e da técnica.

Quando o diretor Matt Reeves tomou controle do resto da história ela ressurgiu como um épico denso e histórico, dando o peso merecido para a civilização dos macacos que começa surgindo rústica, mas que logo se transforma no calcanhar de aquiles da História humana. Se em “O Confronto” ela tomava contornos shakesperianos, aqui o ciclo se completa, com a participação de Woody Harrelson como o vilão à altura para César (Serkis), o líder carismático mas firme da proteção e libertação dos símios das garras humanas.

O personagem de Harrelson surge em um grupo de soldados paramilitares que leva tons de “Apocalypse Now”, e Harrelson é o papel principal dessa distopia. Mas é apenas isso que saberemos do lado dos humanos, pois este é um filme contato totalmente do ponto de vista dos macacos, decisão inteligente do remake em respeitar os planos artísticos do original, pois nos dá a identificação necessária com os heróis da história. Além disso, respeitando novamente o que irá se tornar o Planeta dos Macacos visto pelo personagem de Charton Helston, uma possível mutação do vírus vai limitando a capacidade humana de falar (possivelmente de raciocinar), onde encontramos a pequena Nova (Amiah Miller) e uma balança do destino que parece sempre irônica.

Mas “A Guerra” não é um filme livre de defeitos. O alívio cômico apresentado por Steve Zahn e seu atrapalhado Bad Ape (Macaco Mau) é engraçadinho, mas soa conveniente demais como parte da trupe que se move de encontro com o temível Coronel (Harrelson) para colorir um pouco um filme tenso e pesado. Por outro lado é interessante notar como o comportamento de César chega a ser em alguns momentos tão agressivo e irracional quanto o maior traidor dos macacos, Koba, visto no filme anterior e cujo maior pecado era não deixar para trás os abusos de seus antigos donos humanos, querendo vingança a qualquer custo.

O cenário de “A Guerra” já segue colorido o suficiente com a soberba trilha sonora de Michael Giacchino, que cria segundas impressões dos acontecimentos épicos que vão ganhando contorno pelo filme, em uma marcha ritmada e solene. Giacchino nunca chega a ser farofa, pois ele está comentando um filme que se torna sério pelos seus próprios méritos, não por uma trilha dramática.

Não há muito o que dizer das interpretações no filme, a não ser que elas são indissociáveis das interpretações do elenco humano. Uma pena que ainda há um certo preconceito em dar prêmios para atores que trabalham com captura de expressões e movimentos, mas se houvesse alguma luz mais sábia ao reconhecer a arte, “Planeta dos Macacos: A Guerra” seria um ótimo começo.

Imagens e créditos no IMDB.
Wanderley Caloni, 2018-11-19. War for the Planet of the Apes. EUA, Canadá, Nova Zelândia, 2017. Escrito por Mark Bomback e Matt Reeves baseado nos personagens de Rick Jaffa e Amanda Silver e sugerido na novela de Pierre Boulle 'La planète des singes'. Dirigido por Matt Reeves. Com Andy Serkis, Woody Harrelson, Steve Zahn e Amiah Miller como Nova. Música de Michael Giacchino. Fotografia por Michael Seresin. Sci-fi apocalíptico, remake, prequel, captura de movimentos e expressões.