Polaróides Urbanas

O único exemplo cinematográfico de Miguel Falabela como diretor demonstra o talento de seu idealizador no formato tão conhecido por ele e praticado por anos a fio: o teatro.

Considerar, contudo, Polaroides Urbanas, como um filme, que deve narrar sua história principalmente por elementos visuais, ou pelo menos, que esses elementos ajudem os diálogos de seus personagens, isso é outra história.

De fato, o que vemos, é uma bela narrativa, prosaica até, com interpretações de primeiríssima linha (e que, mesmo assim, mal conseguem acompanhar o talento incomparável de Marília Pêra, que aqui faz duas personagens), é um filme que diverte e entretem na medida certa, e nos faz pensar em nossas próprias neuroses e as tempestades que criamos a partir de copos de água.

O final, contudo, não só define, como desmascara, literalmente, a origem teatral de sua história. É uma pena, portanto, que tenhamos um drama tão bem construído desfeito pela comédia desmedida, fruto, obviamente, do tom humorístico do seu idealizador.

★★★★☆ Wanderley Caloni, 2011-04-27 imdb