Poltergeist O Fenômeno

Um terror produzido e roteirizado em parte por Steven Spielberg não poderia ser lá muito assustador. Chega a ser até um pouco engraçado, como na cena inicial com dois controles remotos que controlam a mesma televisão. Porém, diferente de metade dos terrores produzidos antigamente e hoje em dia, pelo menos é coeso e tenta puxar um pouco mais o espectador.

É assim com “Poltergeist — O Fenômeno”, um filme da década de 80 onde ainda imperava a ingenuidade em tramas como essa. Nesse caso, entidades se comunicam com uma pequena menina de uma família tipicamente norte-americana (eles moram em um vale cheio de casas e quintais) através da estática da TV. Mais detalhes são inseridos aos poucos — seguindo a velha cartilha de terror usada até hoje —, mas o que mais impressiona é a missão de resgate organizada por uma minúscula médium. O roteiro parece querer explicar mais do que deveria, como a existência de um antigo cemitério no local, mas isso não atrapalha a condução da história, apenas a atrasa.

Os efeitos não sobrevivem, ainda que bem feitos. O uso de quartos invertidos para simular as pessoas caminhando pela parede, como em A Hora do Pesadelo, ou o uso de maquetes envoltas de névoa, mais atrapalha do que ajuda, além dos claramente datados objetos que flutuam no ar. É um filme para o público adolescente, mas nem por isso ofensivo. E levar a sério o espectador já é metade do caminho para um ótimo filme.

★★★★☆ Wanderley Caloni, 2014-03-06 imdb