Por uns Dólares a Mais

Continuação de Por um Punhado de Dólares e apenas um ano após a produção original, Por uns Dólares a Mais concebe o universo do faroeste de uma maneira mais aventureira e empolgante que seu precursor. Dessa vez há duas figuras principais. O Homem Misterioso de antes já não é mais tão misterioso assim. Possui um nome: Manco. E possui uma função: é caçador de recompensas. Aliás, uma consequência mais que natural do que vimos no primeiro filme, pois se há tantos fora-da-lei espalhados pelo oeste faz sentido que a polícia precise de oportunistas para capturá-los.

Agora existem prisões, onde os que ainda não foram mortos aguardam. Um deles, Índio, é além de um cruel assassino, líder de uma gangue de assaltantes. Seu estilo doentio revela o crescente em cima da persona dos vilões, assim como com o Coronel Douglas Mortimer e seus apetrechos de caça. Ele também captura e mata procurados, apesar de aparentemente não precisar de dinheiro. Ambos são caricaturas desse universo, por isso seus nomes são tão “cool”. E por isso ambos carregam um significativo relógio. Uma cena de duelo é anunciada por uma música singela que sai desse relógio; seu fim é o sinal para sacar as armas. Não há nada mais surreal para um filme de brutamontes atirando uns nos outros.

As viagens aumentam, e não ficamos focados apenas em uma cidade, e embora El Paso seja o cenário principal há muito que acontece em seus arredores. Isso, além de dar um espaço maior para cavalgadas, torna o destino de nossos personagens mais dinâmico e imprevisível.

Porém, fora tudo que o filme nos proporciona, sua maior contribuição é ser o primeiro passo para que cheguemos a Três Homens em Conflito, a obra máxima da trilogia, onde o Cinema atinge seu ápice, sustentado por uma guinada épica no conceito de faroeste iniciado por Sergio Leone em três filmes.

★★★★★ Wanderley Caloni, 2012-06-10 imdb