Póstumo

A diretora/roteirista Lulu Wang parece se achar tão esperta… nesse seu primeiro longa ela explora uma história comum o suficiente para não despertar muita surpresa e rasa o suficiente para não despertar interesse em um ou outro diálogo de fato interessante. Porém, próximo da direção, o roteiro se torna muito bom. Planos confusos e ângulos sobrepostos em uma bagunça de temas parece tentar mostrar como a arte deste homem é tão boa se comparada ao que é feito nesse filme.

Este é um filme morno que parece novela. Ou pior: um filme da Netflix. Desses que é encomendado pelos espectadores e que parece criado por uma máquina? Pois bem. Esse não chega a ser tão ruim quanto Naked e nem tão bonzinho quanto O Mínimo Para Viver. Mas fica na média. Traz personagens cuidadosamente calculados para funcionarem em situações não muito profundas e aceitáveis pelo espectador médio e não apresenta praticamente nenhuma surpresa pelo caminho.

A história é a seguinte: artista dramático, birra com seu expositor, pensam que ele se matou e cria-se uma nova exposição póstuma que finalmente atrai a atenção de críticos e especialistas na arte dos borrões e esculturas gigantes. Aqui, mãos gigantes, rostos gigantes… e talvez por não conseguir vender fácil, não há pênis gigantes.

Mas a figura de Jack Huston, neto do icônico John Huston (e outros da família Huston), como o artista moderno Liam Price (notou o trocadilho entre Price e um artista não-ambicioso financeiramente?) consegue aos poucos empurrar o conceito: no fundo todo artista egocêntrico está tão interessado em seu próprio pênis que sequer mantém um relacionamento. E a responsável por descobrir a faceta humana deste aparente gênio das esculturas grandes borrifadas é McKenzie Grain, que encorpada pela sem graça Brit Marling tem a missão de se apaixonar pelo seu grandissíssimo… ego.

É claro que por trás da figura deste incompreendido artista há alguém sensível, blá blá blá… você já pegou a ideia. E durante todo esse filme de intermináveis 94 minutos não é possível pensar em nada mais do que duas coisas: 1) qual o sentido dessa previsível história e 2) estamos vendo dicas turísticas sobre Berlim durante o filme?

Infelizmente o filme não consegue convencer nem que Liam é genial, nem que McKenzie está apaixonada por ele. O que o filme consegue é nos fazer olhar por Berlim e tentar entender como alguém tão bom quanto Lambert Wilson está fazendo nesse filme. As melhores cenas são dele. E ele mal aparece em vinte minutos de filme.

★★☆☆☆ Wanderley Caloni, 2017-11-20 imdb