Póstumo

2017/11/20

A diretora/roteirista Lulu Wang parece se achar tão esperta… nesse seu primeiro longa ela explora uma história comum o suficiente para não despertar muita surpresa e rasa o suficiente para não despertar interesse em um ou outro diálogo de fato interessante. Porém, próximo da direção, o roteiro se torna muito bom. Planos confusos e ângulos sobrepostos em uma bagunça de temas parece tentar mostrar como a arte deste homem é tão boa se comparada ao que é feito nesse filme.

Este é um filme morno que parece novela. Ou pior: um filme da Netflix. Desses que é encomendado pelos espectadores e que parece criado por uma máquina? Pois bem. Esse não chega a ser tão ruim quanto Naked e nem tão bonzinho quanto O Mínimo Para Viver. Mas fica na média. Traz personagens cuidadosamente calculados para funcionarem em situações não muito profundas e aceitáveis pelo espectador médio e não apresenta praticamente nenhuma surpresa pelo caminho.

A história é a seguinte: artista dramático, birra com seu expositor, pensam que ele se matou e cria-se uma nova exposição póstuma que finalmente atrai a atenção de críticos e especialistas na arte dos borrões e esculturas gigantes. Aqui, mãos gigantes, rostos gigantes… e talvez por não conseguir vender fácil, não há pênis gigantes.

Mas a figura de Jack Huston, neto do icônico John Huston (e outros da família Huston), como o artista moderno Liam Price (notou o trocadilho entre Price e um artista não-ambicioso financeiramente?) consegue aos poucos empurrar o conceito: no fundo todo artista egocêntrico está tão interessado em seu próprio pênis que sequer mantém um relacionamento. E a responsável por descobrir a faceta humana deste aparente gênio das esculturas grandes borrifadas é McKenzie Grain, que encorpada pela sem graça Brit Marling tem a missão de se apaixonar pelo seu grandissíssimo… ego.

É claro que por trás da figura deste incompreendido artista há alguém sensível, blá blá blá… você já pegou a ideia. E durante todo esse filme de intermináveis 94 minutos não é possível pensar em nada mais do que duas coisas: 1) qual o sentido dessa previsível história e 2) estamos vendo dicas turísticas sobre Berlim durante o filme?

Infelizmente o filme não consegue convencer nem que Liam é genial, nem que McKenzie está apaixonada por ele. O que o filme consegue é nos fazer olhar por Berlim e tentar entender como alguém tão bom quanto Lambert Wilson está fazendo nesse filme. As melhores cenas são dele. E ele mal aparece em vinte minutos de filme.

★★☆☆☆ Posthumous. USA, 2014. Direction: Lulu Wang. Script: Lulu Wang. Cast: Jack Huston (Liam Price). Brit Marling (McKenzie Grain). Tom Schilling (Ben). Lambert Wilson (Daniel S. Volpe). Alexander Fehling (Erik Alder). Nikolai Kinski (Kaleb Moo). Martin Stange (Detective). Oleg Tikhomirov (Waiter). Joost Siedhoff (Landlord). Edition: Matt Friedman. Antje Zynga. Cinematography: Stefan Ciupek. Soundtrack: Brian Crosby. Dustin O'Halloran. Runtime: 94. Gender: Comedy. Category: movies Tags: netflix

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