Predestinados

Aug 1, 2018

Imagens

Este não é um filme sobre crianças. Elas mal aparecem no filme. O que aparece no filme são as reações de seus pais. E eles fazem parte do universo das comédias fáceis e sem implicações dramáticas, o que torna toda a experiência de ver seus filhos sendo cobaias de um experimento sobre a vida tão fascinante como ideia quanto frustrante na execução.

Estamos na década de 70, e o filme é narrado como se esta fosse uma história real. Pode muito bem não ser e não vai se perder nada. Exceto seu final. Explico.

É sobre um experimento que tenta provar que seres humanos são tábuas rasas onde a criação dos seus pais é determinante para as habilidades e talvez personalidade das crianças quando adultas. Nada é inato, de acordo com a pesquisa e a época onde ela é sugerida, e por isso o casal de cientistas consegue uma verba de um herdeiro rico que banca o patrono da ciência para criar três crianças – um filho biológico e um casal adotado – durante sua primeira década e assim ganhar notoriedade na academia.

O “experimento” é conduzido em uma casa isolada de tudo e de todos e com a ajuda de um assistente exilado russo (o ótimo Andreas Apergis), com visitas periódicas do patrono do projeto, Gertz (Michael Smiley) e sua secretária, Sra. Tridek (Fionnula Flanagan), que é a narradora do filme (um toque simpático do diretor/roteirista Emanuel Hoss-Desmarais). O pai, Ben (Matthew Goode), e a mãe, Catherine (Toni Collette), precisam não apenas vestirem o papel de pai e mãe, mas instruírem suas crianças a seguirem cada uma seu rumo “anti-natural” (o filho deles para artes, a filha adotiva de uma família de idiotas uma gênia, e o filho adotado de uma família com histórico de violência um pacifista).

Todos os acontecimentos durante todos os anos da infância das três crianças se resume em piadas de comédias de situação, não se concentrando nunca na história original sendo contada. Isso meio que comprova que este não é um filme baseado em fatos reais (pois não faz sentido) e que esta pode ser uma boa premissa para uma história, mas na prática vira o velho enlatado norte-americano.

Wanderley Caloni, 2018-08-01. Birthmarked. Canadá, 2018. Escrito por Emanuel Hoss-Desmarais e Marc Tulin. Dirigido por Hoss-Desmarais. Com Matthew Goode, Toni Collette, Fionnula Flanagan. IMDB.