Príncipe da Pérsia As Areias do Tempo

Wanderley Caloni, June 14, 2010

Inspirado pelo post recente do Daniel Quadros, um programador como eu, mas que gosta de se aventurar em outras áreas (como eu), resolvi publicar minhas impressões sobre esse filme de 2010, que assisti no cinema com o meu antigo caderno de anotações (hoje aposentado até segunda ordem). Minha ideia era apenas praticar minha sensibilidade sobre a sétima arte, mas aos poucos estou organizando os textos da época.

Ainda que Jordan Mechner, criador do jogo, estivesse até certo ponto envolvido com o roteiro cinematográfico, é preciso inocentá-lo do formato bobo e previsível da história assinada por ninguém menos que três roteiristas, dois deles envolvidos em pequenos projetos da Disney, como Aprendiz de Feiticeiro e produções para TV. A despreocupação dos produtores em escolher seus roteiristas, aliás, é inversamente proporcional aos seus objetivos, que com esse subtítulo sugerem que, assim como ocorreu com Piratas do Caribe e As Crônicas de Nárnia, há a possibilidade de continuações.

De qualquer forma, esse filme tem começo, meio e fim. Ambientado na Pérsia antiga, a fuga do príncipe Dastan (Jake Gyllenhaal) do seu reino e, coincidentemente, da princesa Tamina (Gemma Arterton) — sempre uma princesa — desenvolvem a velha fórmula de aventuras destemidas e milimetricamente calculadas, algo inerente dos jogos de vídeogame, e que aqui não consegue se soltar. Em todas as cenas de ação existe o pano de fundo das fases mais difíceis e habilidades maiores requeridas.

O par romântico que se forma — sempre um par romântico — possui tanta química quanto Jack Sparrow e Penélope Cruz em Piratas do Caribe 4: o velho clichê “se odeiam, mas se amam”. Desde o início não há motivos para a ajuda vinda da princesa, que precisa também escapar o mais rápido possível.

Se muito o que oferecer em seus papéis, o alívio cômico fica por conta de um divertido Alfred Molina como um comerciante ganancioso. Ben Kingsley, por sua vez, se considerarmos sua participação no Ditador, parece estar entrando no velho esquema Hollywoodiano de “pagar o aluguel”, se oferecendo em papéis menores de filmes de comédia/aventura.

Não que a experiência como um todo seja um desastre, mas fica muito aquém de suas possibilidades, já vistas no jogo homônimo. Há algumas tentativas de juntar as pontas, por exemplo, na cena em que vemos o Dastan treinando sua pirueta na parede (e falhando, lógico) e em uma cena de fuga real ele consegue efetuar a tal acrobacia e até acerta três capangas. Porém, mesmo dentro desses momentos inspirados é muito difícil tirar o jogo que originou o filme da cabeça, porque os ângulos e os movimentos do protagonista levam a crer que tudo aquilo é fantasioso, e o fato dos personagens tomarem decisões delicadas com tanta facilidade evidencia a falta de tensão. Mesmo que isso fizesse algum sentido no estilo de vida do príncipe como é visto em sua infância, o mesmo não valeria para a princesa Tamina, que assume o lado sério da relação, embora ela mesma não se leve tão a sério.

Com cenas finais que mais uma vez evidenciam o caráter permanente do jogo na mente dos idealizadores, não deixa de ser um espetáculo visual a cena na areia, que consegue encaixar de maneira satisfatória a ideia de viagem no tempo. O problema reside na superficialidade que este artifício exerce na narrativa como um todo, deixando-a mais fraca do que já é, restando apenas a temporária diversão dos seus efeitos, que são esquecíveis assim que saímos da sala de projeção.

Imagens e créditos no IMDB.
Príncipe da Pérsia As Areias do Tempo ● Príncipe da Pérsia As Areias do Tempo. Prince of Persia: The Sands of Time (USA, 2010). Dirigido por Mike Newell. Escrito por Boaz Yakin, Doug Miro, Carlo Bernard, Jordan Mechner, Jordan Mechner. Com Jake Gyllenhaal, Gemma Arterton, Ben Kingsley, Alfred Molina, Steve Toussaint, Toby Kebbell, Richard Coyle, Ronald Pickup, Reece Ritchie. ● Nota: 3/5. Categoria: movies. Publicado em 2010-06-14. Texto escrito por Wanderley Caloni.


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