Psicose

2011/06/30

A sensação de assistir Psicose na telona do cinema se compara a voltar ao próprio tempo em que o filme estreou. Ainda considerando que a última vez que o assisti estava eu abaixo da regra dos 15 anos e, portanto, livre do meu senso crítico, me fez revisitar as sequências mais importantes do longa como se agora sim eu tivesse algo a dizer. Ledo engano. Saí do cinema sem saber mentalizar uma frase sequer. Nem de efeito. Estava sem palavras diante de uma obra de arte. Petrificado. Extasiado. Feliz.

E continuo assim. Poderia afirmar inocuamente que a fotografia é lindíssima, mas isso seria reafirmar o óbvio. Poderia ir mais fundo e dar exemplos, de como a vegetação em torno da casa de Normal Bates cria não só o conceito de refúgio, como auxilia a aumentar as sombras em torno da casa, tornando uma fotografia escura ainda mais sombria. E por falar em sombrio, poderia devanear em torno de como o próprio Bates caminha sempre nas partes mais escuras de seu hotel.

Também poderia bater na mesma tecla da edição de som, que orquestra, na cena do chuveiro, um verdadeiro repertório de técnica e harmonia. Sem falar, é claro, nos diversos ângulos e cortes que a cena de 3 minutos contém que, juntos com o zoom intermitente, aumentam a tensão. E junto, também, da trilha sonora, é claro. A magnífica composição de Bernard Herrmann, ou até mesmo a significativa transição entre o ralo e o olho de Janet Leight. Aliás, eu poderia divagar por parágrafos a fio em torno apenas da cena do chuveiro. Tudo seria muito enfadonho e repetitivo, pois tudo que havia para ser dito já foi.

Meu único pensamento é o testemunho de que, mesmo hoje vista como supervalorizada, a produção de Psicose continua sendo, sem sombra de dúvida, um clássico a ser visto e revisto por qualquer pessoa que ame e se interesse por cinema. É passagem obrigatória, com certeza.

★★★★★ Psycho. USA, 1960. Direction: Alfred Hitchcock. Script: Joseph Stefano. Robert Bloch. Cast: Anthony Perkins. Vera Miles. John Gavin. Janet Leigh. Martin Balsam. John McIntire. Simon Oakland. Frank Albertson. Patricia Hitchcock. Edition: George Tomasini. Cinematography: John L. Russell. Soundtrack: Bernard Herrmann. Runtime: 109. Ratio: 1.85 : 1. Gender: Horror. Category: movies

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