Que Mal Eu Fiz a Deus?

Essa comédia francesa explora os estereótipos e o racismo de maneira quase inofensiva. No processo, joga algumas piadas de caráter duvidoso, mas em sua maioria oferece uma reflexão boba e superficial a respeito das rixas que as pessoas têm com as outras que tiverem outra origem e cultura.

Será difícil dividir de maneira universal qual piada é hilária, qual é mais ou menos e qual é ofensiva. Tudo depende de como você encara usar estereótipos de raças e povos para fazer graça. Se você for do tipo 100% politicamente correto, evite assisti-lo ao máximo. Porém, se você estiver no outro extremo, este é a comédia para você repensar quando algo é engraçado porque nos sentimos bem ao tirar sarro dos outros por motivos quaisquer, e quando algo não é engraçado porque apenas martela um conhecimento já desgastado ao longo de séculos de gozação.

A história gira em torno de uma família católica francesa do interior com quatro filhas: três já se casaram, com um judeu, um muçulmano e um chinês. A quarta está para se casar com um africano (mas católico!), o que gera reações adversas do pai e da mãe, já esperançosos de finalmente ter um genro que poderiam se orgulhar perante seus vizinhos e sua comunidade religiosa.

Com participações que se divertem imensamente – o destaque vai para o ator que faz o pai do noivo – o elenco oscila entre o medíocre e o razoável. As piadas não seguem uma narrativa coesa, e um cachorro que come um prepúcio no começo some durante todo o resto do filme. Não é uma história para se prestar atenção a detalhes, mas gags jogada em torno de um tema em comum. Bom para uma tarde chuvosa com pipoca doce, para se divertir com amigos.

★★★☆☆ Wanderley Caloni, 2015-11-01 imdb