Querida, Encolhi a Gente

Parece demais um filme inteiro com a ideia de mostrar como as crianças conseguem se virar sozinhas sem a presença dos pais. Ainda mais por se tratar de uma continuação da continuação e tentar reciclar velhas ideias da série usando os mesmo efeitos que hoje já se pode notar algumas marcas do passado. E isso em um filme de 97!

A conclusão, portanto, é que Querida, Encolhi a Gente, lançado direto para vídeo, é daqueles filmes caça-níqueis que adota um roteiro preguiçoso e faz com que os pais das crianças sejam encolhidos acidentalmente não com um, mas com dois objetos (iguais) que caem no botão que aciona a máquina. Oportunista do começo ao fim, monta um trajeto que envolve os adultos-mirim descendo em uma isca de pesca, “pilotando” um carrinho de brinquedo por uma pista que envolve loops e saltos, caindo em um monte de roupa e voando dentro de bolhas de sabão. Tudo isso coloca em dúvida as reais intenções do personagem de Rick Moranis, supostamente um gênio: ele quer salvá-los ou encontrar a maneira mais divertida de deixar seus filhos órfãos?

O mais decepcionante, porém, é que em nenhum momento do longa parecemos estar olhando para situações que lembrem vagamente algo espontâneo. Com uma história que força situações cada vez mais inverossímeis (que o diga uma certa Senhora Aranha), o filme cobra do espectador uma suspensão de descrença – o contrato com o espectador de fingir que aquele mundo é real – alta demais.

★★☆☆☆ Wanderley Caloni, 2015-01-26 imdb