Querida, Encolhi a Gente

Parece demais um filme inteiro com a ideia de mostrar como as crianças conseguem se virar sozinhas sem a presença dos pais. Ainda mais por se tratar de uma continuação da continuação e tentar reciclar velhas ideias da série usando os mesmo efeitos que hoje já se pode notar algumas marcas do passado. E isso em um filme de 97!

A conclusão, portanto, é que Querida, Encolhi a Gente, lançado direto para vídeo, é daqueles filmes caça-níqueis que adota um roteiro preguiçoso e faz com que os pais das crianças sejam encolhidos acidentalmente não com um, mas com dois objetos (iguais) que caem no botão que aciona a máquina. Oportunista do começo ao fim, monta um trajeto que envolve os adultos-mirim descendo em uma isca de pesca, “pilotando” um carrinho de brinquedo por uma pista que envolve loops e saltos, caindo em um monte de roupa e voando dentro de bolhas de sabão. Tudo isso coloca em dúvida as reais intenções do personagem de Rick Moranis, supostamente um gênio: ele quer salvá-los ou encontrar a maneira mais divertida de deixar seus filhos órfãos?

O mais decepcionante, porém, é que em nenhum momento do longa parecemos estar olhando para situações que lembrem vagamente algo espontâneo. Com uma história que força situações cada vez mais inverossímeis (que o diga uma certa Senhora Aranha), o filme cobra do espectador uma suspensão de descrença – o contrato com o espectador de fingir que aquele mundo é real – alta demais.

★★☆☆☆ Wanderley Caloni, 2015-01-26. Querida, Encolhi a Gente. Honey, We Shrunk Ourselves (USA, 1997). Dirigido por Dean Cundey. Escrito por Karey Kirkpatrick, Nell Scovell, Joel Hodgson. Com Rick Moranis, Eve Gordon, Bug Hall, Robin Bartlett, Stuart Pankin, Allison Mack, Jake Richardson, JoJo Adams, Bryson Aust. imdb