Reino dos Gatos

Assim como em Mundo dos Pequeninos, aqui os estúdios Ghibli fazem o que a Disney/Pixar começa a copiar: pequenas produções sem história desenvolvida para Cinema, mas que ganha a simpatia por usar os mesmos traços conhecidos de produções mais pomposas, como as dirigidas por Miyazaki.

Nesse caso, a autoestima de uma menina na escola é desafiada quando ao salvar um gato falante, que mais tarde descobre ser o príncipe de um reino onde todos os gatos falam (e andam nas duas patas), é escolhida pelo rei a se casar com ele.

A temática do “seja você mesmo” tão explorada nas animações ocidentais parece ganhar um peso metafórico impressionante nas mãos de quem sabe contar uma história. Para se tornar uma princesa, a menina precisa se transformar em um felino e abdicar de sua vida humana que tanto parece lhe trazer sofrimentos. O quão adulta pode ser uma abordagem em filme dirigido ao público infantil?

Ainda assim, como dizia, esse é um trabalho inacabado e toda a trama se desenvolve de forma bem superficial, como um conto que é esticado até se tornar um quase longa. Nesse quesito, a equipe ainda sai ganhando à frente de produções menos inspiradas como Carros 2 e seus derivados.

★★★☆☆ Wanderley Caloni, 2013-11-09. Reino dos Gatos. Neko no ongaeshi (Japan, 2002). Dirigido por Hiroyuki Morita. Escrito por Aoi Hiiragi, Reiko Yoshida, Cindy Davis Hewitt, Donald H. Hewitt. Com Chizuru Ikewaki, Yoshihiko Hakamada, Aki Maeda, Takayuki Yamada, Hitomi Satô, Kenta Satoi, Mari Hamada, Tetsu Watanabe, Yôsuke Saitô. imdb