RoboCop

2014/02/24

O novo Robocop reverencia em muito o antigo (talvez até demais), tanto em seu ótimo tema musical quanto com sua alma: criticar como a justiça muitas vezes é aplicada. Nesse sentido, ninguém melhor que José Padilha (Tropa de Elite, Tropa de Elite 2) para discorrer sobre esse tema. Criando no novo policial Alex Murphy (Joel Kinnaman) alguns bons momentos em que evoca o pragmatismo sádico de personagens como o polêmico Capitão Nascimento — um momento onde RoboCop invade a delegacia — o longa evita não seguir o mesmo raciocínio de seu predecessor, mas não a sua história em linhas gerais, que permanece quase que completamente fiel.

Isso quer dizer que a primeira parte será uma revisão lenta e integral do policial investigando indícios de corrupção, sofrendo um ataque quase fatal e sendo transformado em um projeto de segurança de uma mega-corporação que tenta burlar uma emenda de lei que proíbe o uso de robôs como policiais em solo estado-unidense. A história também sofre uma devida atualização para os tempos atuais, com as críticas populares ao modo imperialista dos EUA resolver “seus problemas” e âncoras de telejornais sensacionalistas aproveitadores de situação, como executado por Samuel L. Jackson em uma significativa escalação de elenco. Porém, o desenvolvimento do conceito principal ganha novos ares, como a sua relação (incompleta) com a família e a eterna questão sobre o que nos faz humanos: seriam as emoções um empecilho no cumprimento da lei?

Para tentar argumentar a respeito Padilha e o roteirista iniciante Joshua Zetumer realizam experimentos durante o filme que podem soar didáticos demais (aumenta dose de dopamina aqui, realiza pequena operação no cérebro ali…). O próprio “teste” final para a aceitação do projeto soa burocrática e enfadonha, embora seja uma cena de ação. Já a decisão do marketing de alterar a estética do personagem é um ponto positivo, pois um elo com o herói original já tinha sido criada. O mesmo não pode ser dito da censura da época, e me arrisco a dizer que um PG-16 (o filme é PG-13) já seria suficiente para o diretor explorar melhor a relação da violência com a história. Do jeito que está, tudo não passa de uma alegoria mais ou menos eficiente do ponto de vista ideológico, mas sem a crueldade visual de Paul Verhoeven que dava o ponto certo de onde a realidade encontra respaldo na arte. E nem por isso deixa de ser empolgante ou minimamente interessante.

★★★★☆ RoboCop. USA, 2014. Direction: José Padilha. Script: Joshua Zetumer. Edward Neumeier. Michael Miner. Edward Neumeier. Michael Miner. Cast: Joel Kinnaman. Gary Oldman. Michael Keaton. Abbie Cornish. Jackie Earle Haley. Michael Kenneth Williams. Jennifer Ehle. Jay Baruchel. Marianne Jean-Baptiste. Edition: Peter McNulty. Daniel Rezende. Cinematography: Lula Carvalho. Soundtrack: Pedro Bromfman. Runtime: 117. Ratio: 2.35 : 1. Gender: Action. Category: movies

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