Ruby Sparks A Namorada Perfeita

Oct 17, 2012

Imagens

Orquestrada pela dupla de diretores Jonathan Dayton e Valierie Faris (Pequena Miss Sunshine) e escrita pela atriz Zoe Kazan, que interpreta a Ruby Sparks do título, a história gira em torno de Calvin (Paul Dano), um jovem escritor que nem terminou o colégio e vendeu um livro de sucesso. Considerado por muitos um gênio da literatura (uma palavra que Calvin abomina), todos aguardam pelo seu próximo trabalho.

O problema é que Calvin não consegue mais escrever. Faz terapia para conseguir destravar sua inspiração, quando repentinamente começa a sonhar com uma garota (Zoe Kazan), algo normal na vida de alguém que está sozinho, já passou por uma decepção amorosa e não consegue encontrar alguém que preencha seu vazio. Ele escreve, portanto, em um ritmo cadenciado por suas noites de sonhos e páginas batidas em sua clássica máquina de escrever, um resquício, talvez, de um jovem escritor sem condições de ter um laptop ou um sinal de alguém que se considera único.

As coisas começam a fugir do lugar-comum quando misteriosamente Ruby Sparks, a menina dos sonhos e páginas de Calvin, aparece na vida real do escritor. Ele não é bobo, e imagina, como toda pessoa normal, estar alucinando. Até que descobre que todos à volta conseguem enxergá-la. A realidade mostrada pelos diretores parece difícil de assimilar, mais difícil do que outro filme que lhe faz eco, Mais Estranho que a Ficção, que abraça a estranheza da relação autor/personagem de maneira muito mais fluida. Aqui, a relação é mais de autor/namorada, o que confere um grau maior de intimidade com a psique de Calvin, ou seja, todos os trejeitos de Ruby refletem tão somente os desejos infantis do rapaz em torno da garota perfeita.

O que ocorre em seguida possui lógica mas perde em espírito. Se por um lado a história é divertida e tem um potencial fabuloso, por outro dependemos da imaginação pueril de um escritor sem experiência com mulheres (como seu próprio irmão enfatiza) para avançarmos nessa “relação” baseada em controle. E controle, não importa a relação, nunca é algo bom. O resultado, conforme acompanhamos a vida a dois do casal, é naturalmente imprevisível e explosivo, nunca constituindo algo completo e realizador para ambos (e a maneira como Calvin ordena que seu cachorro, Scotty, faça cocô durante seus passeios matinais é a rima semântica para entendermos isso).

De qualquer forma, “Ruby Sparks” agrada principalmente por não cair nos maneirismos do gênero, e por não transformá-lo em uma comédia barata. Existe a parte cômica, mas conforme o filme avança, vemos o lado cruel de seu protagonista, e a coisa deixa de ser engraçada para ganhar um peso dramático inesperado em uma história inicialmente tão leve. Apenas isso garante uma experiência única na telona.

Wanderley Caloni, 2012-10-17. Ruby Sparks A Namorada Perfeita. Ruby Sparks (USA, 2012). Dirigido por Jonathan Dayton, Valerie Faris. Escrito por Zoe Kazan. Com Paul Dano, Zoe Kazan, Chris Messina, Annette Bening, Antonio Banderas, Aasif Mandvi, Steve Coogan, Toni Trucks, Deborah Ann Woll. IMDB.