SOS Tem um Louco Solto no Espaço

Entendendo o ridículo em potencial da saga idolatrada de George Lucas (Star Wars, para quem não sabe), a história de Spaceballs contém o mesmo pano de fundo só que trazendo à tona o mesmo padrão já visto centenas de vezes: uma princesa sequestrada, um casamento forçado, o anti-herói que se torna digno de seu amor e por aí vai a valsa. Economizando o personagem de Luke Skywalker colocando-o no papel do próprio anti-herói (o alter-ego de Hans Solo) fica fácil enxergar que já há gorduras no próprio roteiro do filme original.

Não que Guerra nas Estrelas esteja perto de ser ruim. Longe disso. No fundo, qualquer obra de ficção, se vista com uma lupa sarcástica, tende para o ridículo, como vemos tantas vezes hoje em dia nos canais do You Tube que homenageiam filmes contemporâneos em trailers ridicularizados de cinco minutos. A comédia existe em qualquer lugar, e o grande trunfo do diretor aqui foi localizar os elementos que pareceriam mais absurdos sem prejudicar o ritmo de um longa-metragem.

No entanto, o roteiro escrito em parceria com Thomas Meehan (Annie) e Ronny Graham (da série M.A.S.H., homenageado recentemente pela série Community) vai além e utiliza metalinguagem em seus melhores momentos, o que é sinal de ótimos comediantes, que não só zombam do conteúdo alheio como sabem zombar do próprio material. Se em muitos casos isso é desculpa para realizar produções de péssimo gosto aqui é usado em preciosos momentos sem prejudicar a narrativa. (Minha cena favorita é quando eles “alugam” o próprio filme e avançam a fita para o tempo presente.)

Encontrando espaço para “homenagear” de maneira irretocável os clássicos Star Trek, Aliens e Planeta dos Macacos — embora as piadas surjam em cada contexto — a narrativa é seguida à risca e possui começo, meio e fim. Se isso é algo digno de nota hoje em dia é porque a paródia segue hoje descarrilhada em produções patéticas como Espartalhões e a série Todo Mundo em Pânico, que exploram o riso fácil (de uma plateia fácil). Felizmente temos o exemplo passado de Mel Brooks do que é parodiar sem ofender e ainda engrandecer o Cinema como uma arte que pode ser revista de inúmeras maneiras sem soar repetitivo ou apelativo.

★★★★☆ Wanderley Caloni, 2013-01-23. SOS Tem um Louco Solto no Espaço. Spaceballs (USA, 1987). Dirigido por Mel Brooks. Escrito por Mel Brooks, Thomas Meehan, Ronny Graham. Com Mel Brooks, John Candy, Rick Moranis, Bill Pullman, Daphne Zuniga, Dick Van Patten, George Wyner, Michael Winslow, Joan Rivers. imdb