Saldo da 40a. MostraSP

Vinte e dois filmes. Essa foi a quantidade que consegui assistir nessa primeira mostra que me dedico nos dias de semana (uma bagatela de ter a própria empresa). Na maioria dos dias foram três sessões seguidas; em alguns dias tive que me ausentar, outros simplesmente entrei na sala errada! (e acabei vendo, por exemplo, o ótimo O Contador). No entanto, foi de longe a edição do festival em que mais vi filmes, e a primeira em que escrevi sobre todos eles.

Ao todo foram dez dramas, seis documentários, uma animação… a maioria tentei ir na competição de Melhores Diretores, onde tive a oportunidade de ver debate com dois deles, estreantes; os outros fizeram parte da Mostra Brasil e da Perspectiva Internacional. Por fim, para não fazer desfeita, vi um dos filmes de Andrzej Wajda, o homenageado do ano, polonês que enxergou os horrores do autoritarismo através da igreja e dos sovietes. Terra Prometida, o filme que eu vi, é a perfeita anti-propaganda nazista/comunista, já que exagera o tom na mesma medida que eles faziam quando queriam dizer que os capitalistas comiam criancinhas.

Dos documentários, o mais impressionante foi “Então Morri”, pelo poder do Cinema mesmo com poucos recursos. Além disso, foi a primeira vez que fui convidado por um diretor a assistir seu filme. Um Homem Insignificante, de Vinay Shukla, popula o imaginário político das massas através dos olhos do Partido do Homem Comum na Índia.

Das ficções, o campeão disparado para mim é Aloys, pela metalinguagem empregada em desvendar os problemas psicológicos das pessoas solitárias, como depressão. A montagem de Aloys é uma das ótimas descobertas dessa mostra.

Minha impressão como cinéfilo foi que, nos dias de semana à tarde, as sessõe estavam muito vazias. Não havia público o suficiente sequer para votar. Pode ser que a cidade não esteja tão preparada para receber as pessoas, ou, o mais provável, que a mostra não esteja mais chamando tanto a atenção. A organização é ótima, ainda mais para quem tem credencial, e o público que frequentou as mesmas sessões que eu dividiam-se em jovens que precisam ganhar cota das faculdades de artes que devem estar fazendo – e estão aparentemente cagando para a sétima arte – e velhos que já são veteranos do evento. Não há um interesse no público em geral, o que é esperado. O Cinema como arte tem morrido aos poucos, e a crítica escrita vai junto, afogando paulatinamente.

De qualquer forma, um viva para o Cinema. Enquanto houver dinheiro roubado para investir em cultura, essa morte tende a demorar mais tempo. Torço para uma Mostra em streaming em breve, como deve ser. A real democratização das artes é dar ao público todas as opções que eles merecem, mesmo que para a grande maioria isso não sirva pra nada.

Wanderley Caloni, 2016-11-02