Se Puder... Dirija!

Muitas vezes as comédias televisivas que passam no Cinema, às vezes, nem antes da própria TV, atraem o público pelas boas piadas e pelo ótimo (e desperdiçado) elenco. No caso de Se Puder… Dirija! o único foco parece ter sido fazer um filme com uma história suficiente para preencher um bloco do Zorra Total e utilizar a propaganda de ser o primeiro live-action em 3D, e o fato de que será lembrado por isso torna as coisas ainda mais desagradáveis.

Narrando a história de um pai ausente que decide mudar isso passando um dia com o garoto e seu cachorro Moleque (trocadilho detected), a história gira em torno de inúmeros episódios de acontecimentos que tentam impedir que o pai passe de fato o dia com o garoto. Esses acontecimentos acontecem e terminam sem deixar qualquer sinal de que aconteceram, quase como filmecos distintos separados por comerciais.

Disse no início que esses tipos de filmes atraem público pela piada e pelo elenco. Pois nesse caso não há nem um nem outro. Se até o “astro” Luiz Fernando Guimarães esquece sua persona que o tornou tão famoso em Os Normais (e engraçado) e ativa um personagem genérico no automático dizendo falas como se estivesse tão de saco cheio quanto a plateia tendo que assistir, o resto dos atores parece ter saído de um episódio piloto de Malhação. Isso para não culpar unicamente o menino de 4 anos cuja “performance” está focada em falar com o nariz entupido.

No entanto, sejamos justos: há uma história nisso tudo. Ela é mínimamente coerente e consegue não se despedaçar durante todo o trajeto. É manipuladora, previsível e careta. Porém, ela existe, o que por ironia torna-se mais estruturada que trabalhos mais caóticos como Vai Que Dá Certo. Se isso serve como consolo, só o tempo dirá.

★★☆☆☆ Wanderley Caloni, 2013-09-07 imdb