Segunda Chance

May 10, 2015

Imagens

Gosto bastante de Depois do Casamento. Seu tom visceral e sua câmera na mão mostram que é possível transformar uma história que tem tudo para ser um dramalhão em uma análise complexa do ser humano. Qual não foi minha surpresa, então, ver que seu “novo” longa (na verdade, é de 2014, mas país de bananas, distribuição feita por macacos), Segunda Chance, usa um dilema semelhante, mas com um potencial muito mais tenso, pois mexe com seres humanos frágeis e ainda sem forma: bebês.

O que funciona melhor nesse longa é que ele não deseja entregar as respostas, mas destrinchar as perguntas. Como um thriller, é eficiente. Como suspense, não há um momento de calmaria. Exceto, claro, os momentos que a diretora escolhe para passar o tempo e nos dar tempo de pensar: o movimento das águas de um lago frente ao lar do casal principal, ou o movimento dos pássaros nesse mesmo lago. É curioso pensar que a culpa mortal que consome o protagonista, Andreas (Nikolaj Coster-Waldau), é por um ato que para os outros animais é uma atitude natural. Louvável, até.

Com uma fotografia deslumbrante e triste de Michael Snyman e uma trilha sonora inebriante de Johan Söderqvist. A música-tema que toca nos créditos finais (não consegui achar seu nome, nem seu autor), é imperdível.

Wanderley Caloni, 2015-05-10. Segunda Chance. En chance til (Denmark, 2014). Dirigido por Susanne Bier. Escrito por Anders Thomas Jensen. Com Nikolaj Coster-Waldau, Ulrich Thomsen, Nikolaj Lie Kaas, Maria Bonnevie, Thomas Bo Larsen, Peter Haber, Bodil Jørgensen, Christian Grønvall, May Andersen. IMDB. Texto completo próximo ou após a estreia no CinemAqui (Source).