Sherlock - Terceira Temporada

Como li em algum lugar, ser fã da série Sherlock é aguardar ansiosamente por um ano três episódios que terminam em um fim-de-semana. Depois disso, mais um ano (ou dois) de espera interminável.

Mas que episódios!

Elementar, meu caro spoiler.

Quando uma série conquista o espectador através de uma fórmula e continua nesta até definhar no esquecimento ela se torna motivo de tristeza e indignação. Felizmente, os criadores Mark Gatiss (que interpreta Mycroft) e Steven Moffat, junto com mais sete diretores e o roteirista Steve Thompson formam uma equipe extremamente ambiciosa, que não se preocupa em experimentar com a linguagem áudio-visual em momentos onde qualquer produção optaria pelo básico “feijão com arroz”. Melhor: não demonstram sequer remorso por brincar com seus personagens criados originalmente por Arthur Conan Doyle, como demonstra o tenso episódio que fecha a segunda temporada, onde vemos o detetive Sherlock Holmes se suicidar para salvar seu eterno companheiro John Watson.

É com essa premissa que a série nos entrega três novos episódios que não apenas divertem como antes, mas instigam e desafiam nossa percepção do que pode acontecer em seguida. É dessa forma com que o primeiro episódio evita entregar de bandeja a solução para a suposta morte do herói (e deixa claro que qualquer explicação seria “decepcionante” para seus fãs, em mais uma de suas brincadeiras bem-humoradas), o segundo episódio consegue se tornar o mais tocante de toda a série, ainda que flerte perigosamente com um desastre eminente e o terceiro… ah, o terceiro. O ano mal começou, mas já tenho minhas suspeitas que a sequência em que um determinado personagem é baleado figurará facilmente na lista de momentos inesquecíveis do Cinema para 2014.

★★★★★ Wanderley Caloni, 2016-04-07 imdb