Shiki Oriori: O Sabor da Juventude

Aug 12, 2018

Imagens

Este é um filme que dá sono. Aliás, estes são três curtas. Que dão sono. Mas apesar dos bocejos e das pescadas, há algo de muito bonitinho acontecendo em Shiki Oriori, lançada pela Netflix que se orgulha em anunciar que é do mesmo estúdio de Your Name, o ultra-pop sucesso de Makoto Shinkai. Aqui nós temos três diretores diferentes trazendo uma percepção temática parecida entre as três histórias: a nostalgia de algo perdido em nossa juventude e que na fase adulta bate à porta.

Tendo trabalhado no departamento de animação de um curta e um longa de Shinkai, Yoshitaka Takeuch é o mais veterano dos três, que não assinam os segmentos (ou assinam coletivamente, ficando indefinido se cada um é responsável por um segmento). A animação segue uma paleta e conceitos semelhantes, com idas e vindas entre passado e presente. Há música empolgante e personagens bem-sucedidos, mas, cada um à sua maneira, melancólicos. Dois dos curtas possuem finais felizes, e são os que mais soam fake. O primeiro, sobre lámen, mais autêntico, chega a iluminar um pouco o coração. E a barriga.

O que dá sono mesmo é a falta de conflito claro. As histórias são quase que experimentais, pois vão descrevendo uma situação cujas memórias servem de guia moral para entendermos para onde o protagonista deve ir, mas nunca nos revelando o que é que falta para que ele se complete (com exceto do terceiro). Mas ao acompanharmos apenas memórias ao ar fica difícil prestar atenção em todo o conteúdo, já que as únicas informações relevantes estão pontualmente localizados. Com isso as estórias ganham um ar de diário, mesmo, de lembranças pessoais que alguém começou a ditar ou havia anotado em algum lugar para fazer um curta assim que a Netflix pagasse. Há algo amadorístico que não encanta, mas desaponta, e algo estilizado que foge um pouco do contexto.

O resultado é uma mistura que não dá certo. Apenas entretém os mais atentos, e faz dormir os mais cansados do mesmo. Não inspira os sentimentos de seus heróis porque eles estão incompletos. São pedaços de emoções flutuando entre as pessoas. Mas se alguma historinha sem querer coincidir com algum momento pessoal seu em sua juventude, pode esquecer tudo que eu disse: ele vale a pena ser visto com o coração.

Wanderley Caloni, 2018-08-12. Dirigido (e escrito?) por Haoling Li, Yoshitaka Takeuch, Xiaoxing Yi. Com Taito Ban, Dorothy Elias-Fahn, Matt Fowler (todos na versão internacional em inglês). IMDB.